segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Vila Brandina

Não vi aquilo que me falaram que tinha. Não senti o medo que alguns dizem ter. O que fiz, além do vídeo, foram amizades. O que exclui, além de algumas horas de material não utilizado na edição, foi o preconceito. Conheci o desconhecido e este superou minhas expectativas.
Nosso objetivo foi mostrar que a Vila Brandina é um bom lugar para se morar. No fim, queríamos morar lá.

Paulo Coelho tem razão quando sente pena:

"Pena que as pessoas só vejam as diferenças que as separam. Se olhassem com mais amor, exergariam principalmente o que há de comum entre elas - e metade dos problemas do mundo seriam resolvidos".

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Por que a gente "monta" árvore de natal?

Tem dia que a gente sai na rua e nada brilha... Olhamos sem ver, passamos sem reparar... Apenas andamos, sequer caminhamos... A gente passa, não passeia...
No entanto, há dias que estamos sensíveis o suficiente para ver o quão bela é árvore do vizinho, ou como são delicadas as flores que brigam por espaço com o poderoso asfalto...

Deve ter sido em um desses dias, em que a percepção sobressai a preocupação, que na Alemanha, por volta de 1530, Martinho Lutero (sim, aquele da Reforma Protestante)andava pela rua e teve mais que olho, teve coração para enxergar sob as estrelas, a beleza que o verde dos pinheiros formava, com branco da neve.

A imagem do belo estava do lado de fora, e o frio talvez o impedisse de contemplá-la com frequência. O problema foi facilmente resolvido. Lutero levou para casa um pinheiro e com algodão simulou os flocos que caiam do céu. Com capricho, colocou outros ornamentos, bem como luzes, para brilhar como só as estrelas são capazes de fazer. Ficou bonito. Os vizinhos gostaram, e ai, sabe como é... Copiaram. Aliás, a "moda pegou" e , foi aquela festa. Cada um decorava de seu jeito, uns com pinheiros maiores, outros menores...

Não demorou e os limites alemães foram obstruídos. Com os colonizadores, a tradição chega à América, e imaginem se os brasileiros não iriam gostar? Nós gostamos e hoje, segundo pesquisa, gastamos em média R$250,00 com efeites para os pinheiros. E não é só a beleza que vale o "investimento". Além de belas, as árvores de natal representam alegria, paz e esperança.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tiririca: É com dois "s"?


É com "s" ou com "ss"? Esse "porque" é junto ou separado? No plural é "aos" ou "aes"? Essa palavra tem acento? Tem hífen?

Muita gente fala que a matemática é que tem problemas, mas convenhamos: Quem entende a Gramática?
Não sei o que diferencia uma inequação, de uma equação. Também complexo, é saber se a oração é subordinada ou simples.


Sem desprezar o português, tampouco os estudos matématicos, me pergunto: Que diferença faz escrever com "x" ou com "ch"? A questão não é saber escrever (embora ajude a compreeender muitas mensagens), afinalde que adianta tantos títulos profissionais, tantos diplomas e tantas regras ortográficas ou formulas exatas, quando não se tem "sensinbilidade"?


Ao pensar nos nossos políticos, e em nossa política, o que importa não é a escolaridade. O importante é o que eles, que estão lá para nos representar, vão fazer. Deveriam pensar em melhorar nossa Educação e essa pode ser até com "ss" (só assim poderemos exigir que as normas do português sejam respitadas). Também deveriam dar atenção à Saúde Pública, e nessa, não fazemos questão de acentos. Apenas hospitais, médicos e qualidade de vida.


Precisam nos proporcionar Segurança, mesmo que escreva com "c" no começo. Nós queremos dignidade e neste caso não importa se coloquem "gui" no meio. Não queremos doutores, letrados, só queremos pessoas de coração e que amem o país. Um bom governo seria consequência de tudo isso.


Por que prova de escolaridade? Deveriam testar o quanto eles estão preparados para olhar o povo brasileiro, prestar atenção nas necessidades deste povo.


Para mim, está tudo errado. A começar pela gramática.
Para mim, tudo pode ficar melhor, a não ser que...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Minha primeira matéria esportiva...

Algumas coisas a gente aprecia, outras simplesmente desconhecemos. Até então, nunca haviam me apresentado ao universo esportivo. Ou, talvez eu, que ignorava uma amizade com tal. Futebol? Só sei que sou São Paulina, e se entrar na rede, é gol! Se bem que tem vezes que está impedido... Nesses casos, nada sei... O fato é que optei ser jornalista, profissão que exige um conheceimento genérico, diverso. O jornalista se não entende, deve ao menos ter uma fonte que o explique.

Sempre fiz matérias do meu agrado, esforçava-me para um bom resultado. Mas na vida, nem sempre temos que fazer aquilo que gostamos, e na maioria das vezes não temos o luxo de escolher.

A pauta foi detereminada: Esporte.
Bom, pra mim sobrou correr atrás da fonte...

Mas, vamos raciocinar juntos... Todos teriam o mesmo fato para relatar. Seria tudo engessado, afunal o assunto é mesmo e as fontes corriam sério risco de coincidir...

Não gosto do comum, dos padrões... Cada um de nós temos um jeito, que também pode ser o jeito de nossa matéria.

Confesso que falar de esporte estava chato e eu precisava me divertir... Foi ai que resolvi fazer essa matéria e gostaria, que me dessem uma opinião bem sincera...

Para im falta mais jornalismo... Ah, e o detalhe, eu estava rouca. E vocês, o que acharam?


video

Com voces, Zé da Serra e Dilminha!!! Aplausos...


Reproduzo aqui, um texto feito por meu pai.
É por essas, e muitas outras coisas que esse cara é meu ídolo, meu mestre, meu norte, minha inspiração.
A tempos desconfio, que quando tra;o algumas linhas por aqui, deve ser porque está no sangue. A vontade de escrever e o gosto pela política foi herança de meu pai, o João Carlos, que para muitos é simplesmente o Bambuzinho.
O pai é a fonte, quem sabe um dia, eu chegue a essa excelencia.

Segue o texto que papai me mostrou



E uma nova dupla caipira promete arrasar no mercado nacional. É o Duo Alvorada, formado pelo casal Zé da Serra e Dilminha, que se unem para arrebentar. Ele é do Bem. Ela pensa em continuar.

Eles entram na gravadora Planalto no próximo dia 31 em Brasília. O lançamento será já, no dia dos mortos, para todo o Brasil.
Neste albumdela e dele, ou seja, no repertório de milongas de Zé da Serra e Dilminha, teremos
-Sustentabilidade da paixão
-Voce peDilmas náo te quero
-Vou privatizar meu coração
-O nosso amor se enSerra
-De que vale tudo isto
-Escola de Carinho
-Amor com segurança
-Te conheci na Petrobras
-Amor Genuíno
-Pancadão do mensalão
-Bye bye, BabaLulá
-Garotinho Ficha Limpa

E a música carro chefe de Zé da Serra e Dilminha será
-Meu Pré Sal, meu Pré Salzinho.

Agora é esperar pra ver e ouvir...


(João Carlos Bambuzinho da Silva)




Alguém se interessou pelo CD?
Pode ser um bom presente de Natal... Quem voces presenteariam?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Político corrupto é pleonasmo? Vai estar sendo corrompido é gerúndio?


Tem gente por aí dizendo e vai continuar dizendo que estará lutando pelo Brasil com garras e unhas.
Essa gente tem um elo de ligação com partidos e esses partidos, tenho certeza absoluta, nada mais são que siglas de iniciais, sem propostas de projetos.
Todo esse estar falando, estar fazendo, estar ajudando é ensaiado antes, planejado antecipadamente. Não sei a quantia exata, mas se gasta muito com todo esse marketing. O fato é real e nesta realidade convivemos juntos.
Há anos atrás, PT e PSDB já estiveram disputando um segundo turno e ambos sempre se excedem muito. A criação nova foi Marina Silva, mas que depois do domingo dia 03, ao amanhecer do dia, já não estava juntamente com o segundo turno.
Mesmo sem vencer a primeira disputa, a representante do PV foi uma surpresa inesperada, foi a escolha opcional daqueles que cansaram-se do bico longo dos tucanos e da estrela vermelha dos petistas.
Marina vai estar plantando árvores, assim como vai estar reciclando lixo. Serra e Dilma são duas metades iguais que aguardam um superavit positivo.

Há muita troca de picuinhas e a razão é porque todos querem o poder. É de nossa livre escolha dar a quem achamos mais responsável, a quem nos melhor convence.

O seu critério pessoal na hora de votar pode ser qualquer um, mas sugiro que atente-se aos detalhes minuciosos e, se sentir algum sintoma indicativo, retorne de novo aos seus princípios. Se não gosta de Dilma, a outra alternativa é Serra.

Eu só espero que todos sejam unânimes ao votar conscientemente.

Você vai estar votando, o Brasil vai estar entrando num novo caminho, eu vou estar torcendo para que todos façam uma boa escolha e que essa seja a última versão definitiva de um governo de sucesso que pense demasiadamente excessivo em toda população.

Bom, o poder está novamente em nossas mãos. Basta, no dia 31 de outubro, comparecer pessoalmente.

Filosofando a política...


O ano é eleitoral. A política está na pauta. A sociedade critica os políticos, no entanto, mal sabem qual a essência da política.
Se conhecessem os diálogos de Platão saberiam que todo governo tende a se degenerar e que a política é cíclica. Saberiam que o que rege um governo estável é a Verdade e o Bem.
Se seguíssemos Platão sairíamos da caverna e quebraríamos a ideia de senso comum (doxa). Talvez, saindo dessa alienação entraríamos no conhecimento verdadeiro (episteme). Quebraríamos uma barreira que nos prende às tradições. Quem sabe assim, o segundo turno destas eleições não repetiria a polarização entre PT e PSDB. Fora da caverna estaríamos prontos para a mudança, e não temeríamos tal.

É uma pena vivermos num pais em que poucos conhecem as obras aristotélicas, segundo as quais, o Estado é algo natural, sendo que as formas de governo se dividem em justas (governo voltado para a coletividade) e injustas (focado em interesses pessoais).
Nesta visão de Aristóteles, a democracia é considerada justa. No entanto, o Brasil como país democrático, contradiz o critério aristotélico, afinal quantos políticos em nossa democracia não pensam apenas em interesses particulares?
Muitos. E isso pode ser reflexo da própria politica proposta por Platão, até porque os governos se degeneram e nós brasileiros podemos estar vivenciando a degenera;ao de nossa democracia.

Ainda bem que tudo é cíclico, como retoma Políbio, base do helenismo. Este autor ainda acrescenta a Teoria de governo misto, idealizando um Estado com monarquia, aristocracia e democracia.
Porém, nesta realidade em que “frutas” se candidatam e “palhaços” aparecem no horário eleitoral, a filosofia nos parece utópica e idealista demais, num pais em que dinheiro publico é encontrado em malas e cuecas.

É essa nossa realidade. Triste, mas verdadeira.

O que nos consola é Maquiavel, que quebra com a filosofia e teologia, nos apresentando a Ciência Política. Para ele, o que importa é o “ser” e não o “vir a ser”. Até porque, o que adianta sonhar, se quando acordamos os craques da bola não estão no campo, mas tentam nos representar?
O que importa é a “verdade efetiva das coisas”. O conforto vem na obra “O Príncipe”, do próprio Maquiavel. Embora oscilemos entre estabilidade e caos, só o Príncipe pode nos ajudar.
Se hoje vivemos uma turbulência de corrupção, se outrora nosso Senado esteve em crise, a solução estaria no homem capaz de instaurar o Principado, burlando os tempos difíceis. Para isso precisamos de alguém com coragem e “virtú”.
Hoje, Dilma e Serra disputam o cargo de Príncipe, mas sem conquistar a Fortuna não serão dignos de tal.
A Fortuna de nossos tempos, não é a honra, a riqueza, o poder nem a coragem, sugerido por Maquiavel. Atualmente, a Fortuna é Verde. Resta-nos saber que seduzirá a deusa, não sei se boa como na época clássica, mas a deusa Marina.

O primeiro turno já foi. Tiririca é deputado, Romário é a “bola da vez”, Maluf foi bem votado e nós, brasileiros, continuamos pulando “cavaletes” e desviando de “santinhos”.

Sempre resta a esperança, que se reforça com o segundo turno.

Quem não leu Sócrates, sugiro que leia. Ele diz que temos que nos conhecer e problematizar a dúvida. Devemos questionar, questionar e questionar. Duvidar daquilo que nos é mostrado como verdade, colocando em xeque conceitos do senso comum.

Só tendo esta atitude chegaremos a verdade absoluta. E é esta verdade que nos levará ao Bem, como já propunha a teoria platônica.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Rádio: Meu trabalho. Minha paixão



Ontem, foi dia do radialista. Conto a vocês, que está é minha profissão. Desde os 3 anos.
Pois é, desde de criança estou no rádio. Respiro a sintonia.
Não uso esse post para contar minha história. Reservo para uma próxima oportunidade...

Só gostaria de registar que uma vez me falaram que o rádio é como a "cobra". Venenoso...

O rádio, assim como a serpente "morde" e na mordida deixa o líquido peçonhento.

Não há como tirar...

Uma vez no sangue, o veneno do rádio toma o corpo. Toma órgãos e chega ao coração.

O rádio é venenoso. Seu veneno, apaixonante...


Ouça o link, de uma simples homenagem que fizemos aos radialistas no CBN Total.

http://www.portalcbncampinas.com.br/noticias_interna.php?id=32810

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Polêmica no Twitter: Antes de votar, uma "gelada"


Minha tarde é twittar. Meu serviço também é on line. Discuto vários temas. Assuntos reais, dessa triste realidade.

A cada dia uma notícia, uma história para contar. As novidades boas são poucas. As manchetes apelativas são muitas.
Diariamente tem-se a notícia do dia, a mais comentada, a mais polêmica e quase sempre a que não favorece nós, cidadãos.

Dessa vez a ideia parece boa, pensando no "eu", como ser único e individualista. Também é boa, ao pensar no agora, no imediato.

A mesma notícia ganha novos contornos ao pensar na sociedade, na democracia conquistada. Também perde se olharmos para lá, no futuro.

Como em 2008, a Lei Seca está suspensa nas eleições deste ano. Já vejo os churrascos de domingo. As reuniões sem carne, mas com freezer lotado.
O tio dançarino, os sobrinhos pentelhos. Vejo também as urnas. E as teclas. Quantas são? Várias. E os candidatos? Em quantos vamos voltar? Muitos.

Confundo me na sobriedade, mas a tentação de tomar uma "gelada" antes de votar é grande...

Os políticos são os mesmos de outrora e política, se não piorou também é a mesma. O que posso eu mudar?

Voto por obrigação. Esperança já não tenho. Utopia não estimula-me. São utópicas demais para mim.
Espero essas eleições pois a família estará reunida na churrasqueira. Voto? Depois do almoço passo na escola. Já vejo aquela fila... Vou tomar uma cerveja...

No dia da eleição tudo pode. Tudo liberado. Nada mais justo. Nada mais coerente. Se eles puderam se candidatar, porque não podemos nos embriagar?

Vou votar embriagado. Com estes candidatos, sóbria não seria capaz de fazê-lo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sempre tem um cavalete...

No meio do caminho tinha um cavalete
tinha um cavalete no meio do caminho
tinha um cavalete
no meio do caminho tinha um cavalete.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um cavalete
tinha um cavalete no meio do caminho
no meio do caminho tinha um cavalete



Numa eleição em que nada pode e ao mesmo tempo tudo está podendo, vemos de tudo. Tudo.

Tem bicicleta com a foto do candidato que passa sobre faixa de pedestres enquanto estamos aguardando o sinal abrir. Tem rodinhas que empurram essas mesmas placas, e se misturam no trânsito. No nosso pouco caótico trânsito.

Tem candidato que aparece dançando, outro que surge cantado. Tem mulher bonita e mulher que ergue a bandeira do feminismo. Homem experiente e aqueles que nunca participaram de uma reunião de condomínio. Tem de tudo. Tudo.


Mas, sabe quando temos a sensação de que esta faltando algo... Sei que falta alguma coisa... Mas confesso-lhes que... Não tenho certeza do que tanto me faz falta... Mas me incomoda, pois falta... Faz muita falta...


Pensando na agonia dessa ausência aqui descrita, refleti e cheguei a conclusão de que o que falta é algo simples: Nessas eleições não estão fazendo POLÍTICA. Fazem aquela tal politicagem, a mais baixa conotação que um conceito pode ter.


Não vou voltar a criticar a falta de conteúdo e a banalização das eleições, porém relato aqui que em meu caminho sempre tem um cavalete. Aliás vários cavaletes. É incrível como estão em todos os locais, desde de canteiros principais até balões de cruzamentos.

E já que o assunto é a pedra do caminha, digo os cavaletes, aproveito para ressaltar que placa alguma vai influenciar meu voto. Porém, elas incomodam e também me intrigam: Quantas delas não estão atrapalhando a visibilidade no trânsito? Sem falar na poluição visual...

Vamos sair das cavernas, como já propunha Platão. Vamos sair desse mundo da matéria e partir para o mundo das ideias, exigindo dos partidos suas ideologias e dos candidatos, as propostas. Por favor, propostas e nada de promessas. Por favor, nos levem a sério. O sorriso será consequência.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Estamos rindo à toa?


Dizem que sorrir é sempre o melhor remédio. E que gargalhar proporciona mais prazer a vida. Concordo, mas fico pensando: Até quando vamos rir?
Confesso-lhes que dou risadas para não chorar, e tento encontrar descontração, onde na realidade só existe banalização.

Se "pior não fica", por que não usar argumentos e unir forças para que tudo fique bem melhor? Se eles querem e podem fazer, então por que até hoje não fizeram? São tantos os porquês...

Nesta situação, o máximo que conseguimos fazer é rir e comentar que “fulano”, aquela “figura” é candidato. Somos incapazes de falar que “ciclano” tem uma “proposta” interessante e que pode dar certo. Isso porque, não vemos propostas. Não encontramos ideias.

Vejo com angústia e desespero, nossa política se transformar em espetáculo, nossas instituições tornarem picadeiros e nossos representantes vestirem o nariz de palhaço.
Entristeço-me só de pensar que a política reflete seu povo, ou que o povo, nada mais é que o reflexo de sua política. Fico triste e temo ambas afirmações.

Sem acreditar em utopia, tenho a esperança de que tudo pode ser melhor. Junto com a espera, vem a saudade, da época em que na Grécia, lá nos primórdios da vida pública, política era simplesmente a “arte de bem governar”.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Vamos mudar esse mundo?!


Há tempos não escrevo. E desta vez, sequer de falta de tempo, posso reclamar.

Fatos não faltam para relatar. Assuntos não param de surgir.. Mas não sinto vontade. Aliás, vontade eu tenho, porém algo me impede. As palavras parecem não desenrolarem, os verbos não se conjugam e a concordância já não me lembro mais.

Poderia falar da corrida eleitoral. De Serra versus Dilma, no entanto não me agrada a ideia de relatar ou opinar a beira de assunto de rivalidades, picuinhas, quando, na conclusão, corro o risco de chegar na frase “é tudo farinha do mesmo saco.”

Também seria interessante comentar o casamento gay, liberado recentemente na Argentina. Mas, convenhamos, quem somos nós para decidir com as pessoa devem ficar? Com certeza, cairia na demagogia de “o importante é ser feliz.”

Queria qualquer dia, escrever algumas linhas sobre pedofilia. Porém me perdoem os leitores, mas tais adultos envolvidos nesta situação, não merecem sequer um rabisco a seu respeito.

Penso até em entrar na moda e falar de futebol. Mas a derrota na Copa é tão recente que o drama de uma brasileira decepcionada, contaminaria o texto.

Sem saber do que falar, poderia ser redundante e escrever umas linhas sobre nossa saúde pública e o ensino dessas nossas crianças. Mas eu me pergunto, será que nossas autoridades ainda não perceberam o caos em que se encontram estes outros setores de nossa sociedade? Ou será que eu preciso repetir a mesma ladainha?

Sabe gente, as vezes eu canso. Canso de falar que temos que abrir os olhos. Também me deixa exausta ter que repetir a importância de se votar conscientemente. Fico cansada ao reclamar sobre os meus direitos. Da mesma forma que me deixa sem forças ter que falar novamente: Vamos mudar esse mundo?!

domingo, 18 de julho de 2010

Personagens da História: Moraes Salles

A Avenida Moraes Salles é uma das princiais aqui em Campinas. É só pegar a Moraes Salles. Fica próximo a Moraes Salles. É só dizer isso, que todo mundo conhece!

Mas, quem foi Moraes Salles? No "Personagens da História" de Flávio Botelho, a gente descobre:

Reportagem: Flávio Botelho
Imagens: Danilo Braga
Sonorização: Paulo Girardi
Edição de vídeo: Gláucia Franchini


Personagens da História: Luis Otávio Burnier

Você sabe quem foi Luis Otávio Burnier?

Flávio Botelho conta detalhes da vida deste grande artista!

Reportagem: Flávio Botelho
Imagens: Danilo Braga
Gravações: Robson Bolsoni
Sonorização: Paulo Girardi
Edição de vídeo: Gláucia Franchini


Personagens da História: Thomaz Alves

Você já passou na rua Thomaz Alves? Se for campineiro, provavelmente sim...
Mas, quem foi esse tal de Thomas?

Flávio Botelho conta pra gente!

No dia 23 de abril deste ano, Flávio Botelho, jornalista da Rádio CBN Campinas apresentou em seu quadro "Personagens da História", o médico Thomaz Alves.

Dr. Thomaz Alves era carioca, mas em Campinas se dedicou a profissão. O médico esteve presente na endemia de febre amarela aqui na cidade de Campinas.

O doutor teve forte influência social e política no município.
Um de seus maiores feito foi a Fundação da Maternidade de Campinas, como uma ação de preocupação da alta mortalidade materna.


Reportagem: Flávio Botelho
Imagens: Danilo Braga
Sonorização: Paulo Girardi
Edição de Vídeo: Gláucia Franchini


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Câmara de SP poderá multar em até 12 mil reais quem jogar lixo nas ruas


Esse mundo é engraçado.
Todo mundo sabe o que é certo e insiste em fazer o errado.
Todos nós sabemos o que faz bem, mas as vezes tentamos nos divertir com aquilo que faz mal.
Eu sinceramente não entendo as pessoas. Nem elas, nem eu.
Sabemos que muita gente sofre, mas raramente reservamos um tempo para ajudá-las.
A gente sabe que o Meio Ambiente padece, mas numa ignorância extrema, nada fazemos para amenizar a situação.
Há tempos, dizem que “quem não ajuda, também não deveria atrapalhar.”
Mas o que adianta dizer, se na prática, atrapalhamos a nós mesmo, somos nós os culpados. Culpados por termos no poder aqueles que temos. Também somos nós os responsáveis por nossa casa. Não a de tijolos, mas esta que nos envolta. Nela, cimentamos onde havia verde; secamos no lugar que minava água e sujamos os espaços mais puros.

Já ouvi dizer que o problema não é o mundo, mas sim o moradores deste planeta. O que me conforta é que além de sermos o problema, também somos nós a solução.

O tempo não retrocede. O que perdemos, ficou no passado. Agora, só nos resta pensar no futuro e esse só depende de nossas ações presentes.

A Câmara de São Paulo aprovou o projeto que prevê multa de até 12 mil reais para quem jogar lixo nas ruas. Tento não acreditar que tal lei seja necessária. Eu tento supor que ninguém seja tão insensível para tanto. Jogar lixo nas vias é elucidar nossa situação de problema e recuar do estado de solução.


Veja o link: http://www.portalcbncampinas.com.br/noticias_interna.php?id=30985

Saúde: Por que tem que ser assim

Cabelos brancos, rugas, sobre quais, caiam lágrimas. Fraca, sensível. Doente. Há um longo tempo sentada. Sem atendimento.
Vermelhidão. Coceira. A pele repleta de bolinhas. O desespero que as alergias proporcionam. Era um senhor, magro e cansado. Não de sono, mas de tanto esperar.
No ventre uma vida. As dores da alegria. Mas que necessitam de cuidado. O difícil é tê-lo. Nove meses de espera. Horas para ser atendida.
O pequeno também sofre. Na fila, aguarda. No colo materno chora. No entanto, carece. Uma carência de socorro.

É isso o que vemos nos prontos socorros públicos. Vi sem querer enxergar. Senti, sem querer sofrer. Doeu sem que eu pudesse evitar,

Questionei Deus: Por que tanto sofrimento? Qual o motivo de tanta desigualdade?
Arrependi-me. A culpa não é Dele.
Culpa de quem?
Nossa.
De todos nós.

Culpo-me por não ter feito uma boa escolha. Ajudei a colocar no poder, insensíveis políticos.

Uma insensibilidade que me espanta e me causa repugnância.

Será que nem nessa hora, o coração de nossos nobres poderosos não bate? Não ressoa um pouquinho mais forte? Será que o poder é tanto, que são incapazes de exercer humildade? É incrível a incapacidade da alteridade...

Podia ser comigo. Podia ser com você.

Podia ser com nossos representantes. Mas estes, com tanta impunidade, sentem-se ilesos. Por sorte, não dependem do sistema público de saúde. O azar é o nosso. Sempre nosso.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Breves Reflexões - Política


O ano é de eleição. O clima é eleitoral. As urnas se aquecem e o eleitor tem o futuro, na pontinha dos dedos.
A cada dois anos repetimos a mesma ladainha. Temos que votar consciente, dada nossa responsabilidade como cidadãos.
Todos nós sabemos disso, mas de saber à fazer existe um longo e instável caminho a ser trilhado.
Vota-se porque se tem obrigação; elege-se por falta de opção.
Político nesta sociedade virou sinônimo de corrupto. Eleitor pode ser sinonimizado como esquecido.
E é por isso que dá certo. O político só se mantém político devido a nós cidadãos.
Falar de corrução é fácil. Criticar então, é “papinha”. Mas ninguém faz. Ninguém se movimenta.

Serra, Dilma e Marina. Quem vamos escolher? O petista fica com a senhora, o tucano vai com o experiente e os preocupados com as causas ambientais opta pela guerreira. Mas, o que de diferente eles vão fazer?
Não importa, azul, vermelho e verde. Temos que escolher uma bandeira. Não valem boas intenções, tampouco boas ideias, o importante são as coligações, quem tem mais tempo na TV.

Sinto falta de algo... Mas não sei a causa desta escassez.
Não sei se a política é, ou tornou-se assim. Não sei se o poder corrompe, ou fomos nós que o tornamos-o pretexto para o corrompido.
Não sei se a culpa é da política ou a falta dela. Não sei se o problema é partidário ou ideológico. Porém receio e temo que os errados sejamos nós.

sábado, 19 de junho de 2010

Como já dizia Saramago...


Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.”

José Saramago expressa em uma frase aquilo que sinto desde quando nasci.

Sinto que pessoas tem aço e pedras, no lugar do coração. Pena, sinto destas. Mais infelicidade sinto, ao pensar que o ferro não se funde só com calor humano.


Não lhes desejo bom proveito, pois nada podem aproveitar, embora Saramago sai-se bem na ironia. A frieza é algo que me causa repugnância. Pra quer viver, se onde deveria pulsar, simplesmente bate? Bate forte. Bate sem dó.


Identifico-me com Saramago, pois como o dele, também fizeram meu coração de carne e hoje mesmo ele já sagrou. Sangrou quando vi um senhor simples, humilde e necessitado.

Ele foi falar comigo, logo de manhãzinha. Apresentou-se como cantor e pediu-me ajuda.

O coração sangra numa hora como esta. A incompreensão me ronda. Perguntamo-me o porque de tantas pessoas sofrerem, não terem condições de uma vida digna.

Nesta hora também me questiono e me revolto. Por que o poder esta nas mãos daqueles que não tem o coração de carne, que envolta-se no ferro?


Sinto-me tão atada, que a carne dentro mim, nada faz a não ser sangrar. O senhor que me comoveu, também emocionou-me, quando, cantou pra mim, uma música de sua composição. A letra era sobre o anjo da guarda e a esperança irradiava naquela canção.

O senhor precisava de ajuda, mas culpo-me e guardo comigo o ressentimento de não poder ter ajudado-o.


O sábio Saramago dizia que não precisamos ter pressa, mas sugeria que não perdêssemos tempo. Vamos manter calma, enquanto pensamos e também agimos. O mundo pode ser melhor, é só saber usar nosso tempo.


Saramago não foi apressado, só depois 50 anos se dedicou a literatura. Não teve pressa, mas soube como ninguém aproveitar o tempo. Depois da meia idade, fez sucesso com seus livros, emocionou, contrariou e presenteou as pessoas com suas palavras, embora, como o próprio já dizia, há coisas que as palavras não conseguem expressar.


Conforto-me pelo fato de que o ferro exposto a alta temperatura se fundi. Não vamos ter pressa, mas vamos seguir o exemplo de Saramago.

Vamos amar e sentir. Vamos tocar e acariciar. Vamos ter um tempo para gente e também aqueles que nos amam , pelos quais elucidamos a reciprocidade.


Saramago não se foi. Saramago continua em nossos sentimentos, em nossas conversas, na lembrança daquele bom livro, na recordação de um “grande cara”.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Voltando a ser brasileiro...


Hoje me falaram, que enquanto a gente torce pelo Brasil e se “empeteca” com as cores verde e amarela, muitos padecem, alguns choram, outros se quer têm água pra o brinde.

Pensei nessa hipótese e infelizmente ela não comete equívoco.

Também me falaram que a Copa do Mundo desperta um “falso patriotismo”, pois só com a Campeonato Mundial lembramos de nossa bandeira e gritamos lá do fundo do peito: BRASIL!

Aqui também temos outro posicionamento correto. Uma outra infelicidade.


No entanto, a grande dificuldade do homem é enxergar e assumir o lado bom das coisas. Não vamos desprezar os momentos bons, os sorrisos que nos aparecem, mesmo que timidamente.


Não pode-se negar a união que o mundial nos proporciona. Vamos todos, juntos, na mesma moda, no mesmo estilo, ao mesmo som, com igual grito: É HEXA! Somos também solidários, unidos pela garra, a vontade de vencer. Vibramos juntos a cada gol e choramos também, em união, a cada derrota.

Não creio na falsidade do clima de Copa do Mundo, mas sim acredito que apenas de quatro em quatro anos, nós brasileiros voltamos a ser brasileiros, retornando a nossa origem, resgatando nossas qualidades. Voltamos a ser aquele povo que vibra, torce, reza, aposta e sofre, sempre unidos e na ânsia de alcançar um mesmo objetivo!

sábado, 29 de maio de 2010

Viver é...


O que é viver a vida?
Viver pulando de alegria
Ou tentar achar a melhor saída?
O que é felicidade?
Estar com as pessoas que gostamos
Ou encarar todas as responsabilidades?
O que devemos fazer?
Socorrer aquele que padece
Ou ajudar o que vai nascer?

Dizem que a adolescência é uma fase de muitas dúvidas. O incrível é que já passei essa etapa e todas as incertezas ainda persistem. Persistem em mim, e também naqueles que me cercam.

Alguém pode me dizer o que é o certo? Se não souberem, digam-me do errado. Mas peço-lhes que entrem num consenso. Não pretendo agradar “gregos e troianos”, mas não posso oscilar entre estes povos.

Não seria melhor se a vida tivesse um ensaio? Brilharíamos mais quando as luzes dos holofotes se acendessem. Poderíamos errar, sem que esse erro fosse percebido pela plateia que aplaude, mas também sabe vaia.

Muita gente diz que a vida não é fácil. Mas ninguém enfatiza que ela é tão difícil.

A gente entra e já sai com a bola no pé. Tem horas que bola vai para o adversário, mas o que anima é que ela sempre volta para o time da casa. Bola no pé, mas a rede continua longe. E são bastasse a rede tem travas, e um tal de goleiro que tenta impedir o nosso golaço.

A vida tem que ser vivida intensamente. E ninguém pode discordar o quão intensa é nossa vida. Muita gente acorda hoje, para consertar o erro cometido ontem. Há que levante da cama, pra conquistar no instante, o que foi perdido outrora... Triste aquele ,que desperta com a insônia de outros dias.

Assim “caminha a humanidade” e a gente “vai levando a vida”.

No final do dia, quantas coisas não vivemos? Boas? Ruins? Se não tem certo, tampouco errado, a bondade e maldade devem estar naqueles que a veem e a praticam.

Na hora do descanso a gente reflete e percebe que apesar de tudo, “viver é não ter a vergonha de ser feliz”, e que devemos viver "como se não houvesse amanhã", fazer como se este fosse o último da vida. Se não tivemos ensaios, tampouco teremos o segundo tempo para reverter o placar.

Você disse eu te amo para alguém hoje? Aproveite este momento! E não esqueça de agradeçer se "acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você" !

domingo, 23 de maio de 2010

Vamos rezar juntos?


Na vida, passamos por várias dificuldades não é verdade?
É difícil compreendê-las. Muito complicado aceitá-las.
Mas na vida tudo tem um porquê. Pena que as vezes a gente só descobre quando é tarde.
Nos meus problemas, apego-me a Deus, aos meus santos, a minha fé. Tenho certeza que cada um se apega àquilo que acredita, e não faço aqui, qualquer tipo de discriminação. Pelo contrário, respeito e divido com todos vocês minhas súplicas.
Neste momento, estou passando por uma certa ansiedade, um probleminha de saúde em minha família.
Rezo ao Santo que tanto me socorreu. Peço que se unam a mim, assim como disponibilizo essa oração, também para as dificuldades de meus leitores.
Vamos rezar juntos?

"Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes interceda por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo, socorra-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, proteja-me. Ajuda-me, Dai-me força, coragem e serenidade. Atenda meu pedido (Fazer o pedido). Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estas horas difíceis, proteja de todos que possam me prejudicar, proteja minha família, atenda ao meu pedido com urgência. Devolva-me a paz e a tranqüilidade. Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé.

Muito obrigada."

Vamos deixar pra quem?

Galerinha, participe desta votação. Eu já dei meu voto e você: Vai deixar nas mãos de quem o nosso País?


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Possivelmente Impossíveis


Em “Alice, no País das Maravilhas”, a protagonista, em sua simplicidade e ingenuidade, confessa que antes de tomar o café-da-manhã, fica imaginando seis coisas impossíveis de se acontecer. Entre elas, um gato sorrir.
Porém, basta Alice cair num buraco para que um traiçoeiro e espertalhão gatinho, lhe abra um belo e malicioso sorriso.
É como dizem: “Nada é impossível”.

O grande problema é que a descrença, a decepção e muitas vezes o comodismo fazem com que a gente perca a noção de possibilidade e englobe tudo na lista de impossibilidades.

Tentei fazer como Alice. Ao acordar penso em seis coisas impossíveis. Porém, como não pretendo cair em buraco algum, nem meus sonhos parecem sugestivos, resolvi que além de pensar nas impossibilidades, pensaria em como torná-las possíveis. Mas isso é tão difícil....

Divido com vocês uma das impossibilidades.
Na primeira manhã, pensei no universo político, afinal, não lhe parece impossível uma política limpa, transparente e digna?
A mim parece. Porém, ainda nos resta a esperança, que embora escondidinha, ainda reina em meu coração.
É estranho falar em política, partindo para um pressuposto emocional. Mas será que o problema não esta exatamente aí? Talvez falte o lado emotivo. Talvez o complicador seja o fato de nossos políticos não ouvirem a voz do coração. Talvez faltem-lhes “sensibilidade”.
Até por que, que coração seria capaz de suportar um país em que poucos tem muito, e muitos tem nada? Como aguentar uma educação que alienia ao invés de formar uma massa crítica? Como consentir com uma saúde que exige horas de espera para o atendimento?
As vezes desconfio, que algumas pessoas sequer tenham coração! Sem ofensas.

Ignorando nossa face emotiva, eis que a racionalidade se apropria de nossas ações, aliada ao poder que além de corroer, traz consigo a ânsia da competição, a ganância do “ter mais”, tornando-nos doentes, enlouquecidos. O reflexo que temos é o individualismo, que simplesmente se torna a ferida egoísta.

Ao tentar encontrar uma solução, deparei-me com muitas perguntas. Todas elas sem respostas.
A sociedade reflete a política, ou a política é reflexo da sociedade? É impossível chegar há um consenso!

Ops, “impossível”?
Na procura de possibilidades, encontro apenas mais impossibilidades!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Triste Fim do Laço do Cowboy


A alegria dissolvida pela lágrima. O canto que desafina. A dança que não encontra o par. O que era para ser um dia de felicidade, tornou-se uma tragédia.

O show que embalaria a noite abafava o ruído daqueles que sofriam. Uma morte de dor: com trilha ao fundo...

Tudo isso aconteceu ano passado, no Rodeio de Jaguariúna. Entre muitos sorrisos, alguns perdiam o brilho. Olhos fechavam-se. Para sempre.

Infelizmente, nem todo mundo aprende com o erro. Este ano tem mais festa sertaneja. Poucos se lembram das famílias de Vivian, Ariel, Andréia e Giovanna. No entanto, os familiares e amigos jamais se esquecem.


Todos assumem que a segurança no recinto tem que ser reforçada. Porém está questão dificilmente chega a um consenso. Antes a discussão envolvia a Polícia Militar, agora o impasse ameaça, inclusive, a realização do evento.

Uma liminar prevê o cancelamento do Rodeio, porém a venda dos ingressos continua. Continua? Mas o evento não está cancelado? Sim, está. Mas a liminar pode ser reconsiderada. Como certa vez, o irrevogável foi revogado. E a implosão, já quase foi implodida. Até por que, quem nunca aceitou o inaceitável?


Hoje, teremos a decisão final. Até que seja tomada ficaremos a nos questionar: Será que vai ter Rodeio?

Como não gosto de perguntas até então sem repostas, passo para o amanhã, quando deve ou deveria começar a “festa do peão”.

No amanhã, torço para que a alegria seja elucidada pela felicidade. Que o canto esteja afinado, e todos cantem numa só voz. Que a dança dê rodopios. E que os sorrisos voltem mais brilhantes para casa, com olhar irradiando toda essa alegria.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Quanto tempo o tempo tem?


Dizem que “o tempo, perguntou pro tempo, quanto tempo o tempo tem.” Mas o que interessa na verdade, é quanto tempo ainda temos?

Somos reféns da hora, aprisionados na temporalidade. Dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Mas como ser perfeito se temos pressa? Muita pressa.

As mulheres conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Os homens não. Mas precisamos fazer três coisas! Como podemos fazer?

Ah, como eu queríamos ter tempo...

Tempo de fazer aquilo que fazíamos quando o tempo era nosso amigo. Quando as tardes eram longas. E sol brilhava por muito tempo.

Ah, como eu queríamos ter tempo...

Mas estamos sempre “em cima da hora”. Totalmente "sem tempo".

Alguém pode me dizer por que o dia tem só 24 horas?

O problema é que o “tempo não pára”. Não pára e não nos deixar parar. Tempo pro almoço? Nem dá tempo de sentir fome!


Talvez não seja falta de tempo. Pode ser desorganização. Talvez não sejam as horas, mas sim como estamos usando cada minuto.

Perdemos tempo ao olhar no relógio. Desperdiçamos tempo dizendo que não temos tempo. E perdemos mais tempo, quando achamos que estamos perdendo tempo.


Ah como eu queríamos ter tempo...


Queria ter tempo para acabar esse texto. Tempo para pensar num fim perfeito. Gostaria de ter tempo para explicar minha briga contra o tempo. Mas é uma pena... São onze horas... tenho que correr...

Desculpe-me. Qualquer dia, arrumo um tempo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Ensino Público feito por nós


O tema “Educação” sempre causa polêmica. Consensualmente a educação pública é ruim.

Não gosto de falar daquilo que não presenciei, tampouco daquilo que os outros me contam. Comento simplesmente as coisas que presencio, somente o que meus olhos conseguem ver.

Sobre a Educação nas escolas públicas ouso redigir algumas linhas. Numa escrita de alguém que viveu dentro de uma sala de aula com essa característica. Escrevo ainda com a ousadia de quem estudou 14 anos em escola particular e um único em escola estadual.


Foi no terceiro ano do Ensino Médio. Lá, os professores estavam desestimulados e faziam questão de passar em detalhes o caos do ensino público. Vi profissionais atados, incapazes de dar uma boa aula, por falta de material. As paredes que via estavam todas rachadas, a estrutura estava comprometida, mas nós continuávamos sob os incertos tetos. Nessa escola vi alunos sem sonhos, conformados com ideia de não serem competitivos num vestibular. Conversei com pessoas que não tiveram alicerce no Fundamental, mas insistiram em “tocar pra frente” a construção. Bastava bater um vento: Tudo desmoronaria.

Ao mesmo tempo enxergava professores com ânsia de ensinar e muita história para nos contar. Mas a decepção e desilusão ofuscava essa vontade. Também percebia que todos meus colegas de sala dormiam, e durante o sono, claro que sonhavam! Sonhos diversos, desde doutor até engenheiro. Todos era pretensiosos, mas o conformismo anulava a força para lutar.

Embora o prédio estivesse ameaçado, ao redor, as árvores brotava,m sujando o pátio da escola. Foi aí que percebi que o solo era fértil. Era só preparar o plantio.

Os materiais disponibilizados pelo Governo eram poucos, e quando algo vinha acrescer, ou estava desatualizado, ou não tinha para todo mundo.


Foi então que o Colégio abriu suas portas e professores empenhados começaram mediar palestras, indicar material e até mesmo nos emprestar. Integramos-nos e nos comprometemos. A reciprocidade elucidava a troca e a generosidade brotava em meio a desesperança e falta de recurso.

Sempre fui muito bem acolhida pelos professores e esforcei-me em colaborar com meus colegas de classe. Éramos parceiros na dificuldade. Não nos acomodamos. Pegamos livros, conversamos com pessoas. Ajudamos-nos um ao outro. O ensino melhorou. As perspectivas também.

No final do ano, todos estavam belos ao receber o canudo de formatura. Entre ternos e vestidos longos os olhos brilhavam. Refletiam o sonho, com a esperança de que iria se tornar realidade.

Se aqueles que deviam nos representar e nos auxiliar em nossas dificuldades não o fazem, sugiro que façamos nós.

Sobre Educação, indico a entrevista no CBN Total com Gabriel Chalita:

http://www.portalcbncampinas.com.br/noticias_interna.php?id=29191

terça-feira, 6 de abril de 2010

Precisamos de lentes

A Rede CBN iniciou nesta segunda-feira, a série de reportagens “Profissões invisíveis”, que retrata a cotidiano de profissionais que passam despercebidos em nosso cotidiano, mas que nem por isso, deixam de ser essenciais. Aliás pelo contrário, talvez a invisibilidade seja o segredo da importância. Ou quem sabe a indiferença seja um estímulo para fazer bem feito. O ato de fazer, não é elucidado pelo mostrar. Isso deve ficar claro.

Hoje fui pra faculdade e quantas pessoas por meu caminho não visualizei?

O motorista do ônibus, passa despercebido e raramente recebe um comprimento de bom dia. No entanto, é ele que nos leva. Leva e também nos traz.

Caminhando pelas ruas e calçadas da cidade, sempre há uma pedra no caminho, como já alertava Drummond. Fico imaginando, quantas pedras, entulhos e lixos não haveria se não fossem aquelas moças e rapazes, sob as vestes da transparência, que limpam nossos caminhos, tornando mais agradáveis, os nossos passos.

Também na invisibilidade passam-nos os pedreiros que vez ou outra fazem um reparo pelos caminhos que trilhamos. Eles concertam. Mas nós só enxergamos quando esta quebrado.

Vamos caminhando. Os problemas cegam-nos. O horário nos ensurdece.

As cordialidades se rareiam. A solidariedade se dilui. Somos egocêntricos capazes de enxergar o próprio umbigo. Nada mais.


Muitos passam por nós. Poucos ficam em nós.


Falta-nos lentes. Lentes de contato. Que permitam o contato. Lentes para perto. Que nos permita ficar perto. Lentes também para longe. Para ver lá de longe, aquele que padece. Lentes de sensibilidade. Que nos torne sensíveis para que, além de enxergar, possamos ver.

domingo, 4 de abril de 2010

O que fica da Páscoa


A época é de reflexão. O sabor de chocolate. O símbolo é o coelhinho. E o momento é feliz para aquele que compreende sua essência.
Jesus morreu. Por nós, foi sacrifício. Para nós, o exemplo. Sob a Cruz muita reflexão. Ao redor, muitos exemplos.

O Cristo foi julgado, como muitos em nossa sociedade o são. Do julgamento veio à condenação. Da mesma forma que hoje condenamos, nem sempre justamente. Nas proximidades da Cruz, Maria em pranto. Assim como, muitas mães choram. Choram com os filhos. Derramam lágrimas sem os filhos.

Os dias que precedem a Páscoa são de luto. Um luto de esperança. Dias santos que remetem o sofrimento, ao mesmo tempo que deles emergem a paciência. Uma paciência de ansiedade. A ansiedade da vinda. A esperança que Ele voltará.
É a certeza da ressurreição que nos oferece força para prosseguir. E é este o maior exemplo Daquele que “desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia”.

Do sofrimento, deve ficar apenas esperança. A esperança que dias melhores virão. Com a volta, o sofrimento alivia.
Afinal, as lágrimas de dor, são as mesmas que escorrem quando emocionamo-nos de felicidade.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Preciso desabafar!


É curioso como sinto-me angustiada quando não atualizo este blog. Primeiro por estar quebrando a periodicidade, o que compromete a credibilidade do espaço e abala a confiança dos leitores. Porém, essa questão justifico.
Deixei de atualizar, não por falta de assunto, tampouco por falta de vontade. Não foi um abandono, sequer uma separação. Tudo ocorreu por “incompatibilidade de agenda” (não é assim que os famosos justificam?). Pois bem, a culpa é da correria do dia a dia. E o que me frusta é que a gente corre, corre e dificilmente sai do lugar.
Mas não quero tratar aqui de minhas frustrações. Prefiro voltar a falar sobre minha angústia.

Sinto vontade de gritar. Porém abafo. Simplesmente, choro. Ou viro a página.
As vezes sinto-me repreendida. Muitas vezes sinto-me sem voz. Ou tenho a sensação de que as pessoas não têm ouvidos. Outras vezes acho que enxergo demais. Não pode ser possível! Esses olhos veem cada coisa... E não pensem que preciso ir longe...Basta ligar a TV. Os olhos soltam lágrimas. Sentem dor, ao ver tanta banalidade. Também choram ao assistir tanta desgraça.

Tento desabafar essa angústia, mas as pessoas não tem tempo. Estão apressadas e não podem me ouvir. Curioso que isto é reciproco, e muitas vezes também não consigo ouvir outros tantos angustiados.

O engraçado é que não se trata de uma angustia depressiva, mas de um sentimento reprimido que precisar se rebelar, precisa sair. E tem ânsia para mobilizar. Mas mobilizar como? Ninguém ouve nada. Não vê nada. E sempre tem raiva de quem viu.

Já tentei aliviar de várias formas o sentimento angustiante. Tentei correr na lagoa, ouvir música, cantar de baixo do chuveiro e acreditem, já tentei até esmurrar aqueles palhacinhos de plástico. A raiva passa, mas angústia...

Como boa brasileira, que “não desiste nunca”, encontrei um espaço, onde as pessoas não me ouvem, não me veem, mas têm acesso às minhas “mal traçadas linhas”. Sim, o espaço aqui deferido é o blog. Uma ferramenta que funciona não só como um diário, mas como um grande psicanalista.

Ah, como é gostoso escrever...


Numa sociedade tão individualista como a nossa, os amigos são raros, as conversas nem sempre são enriquecedoras. O tempo passa e a gente sequer percebe.
O Estadão continua sob censura. O Arruda permanece preso. Televisões ainda são “desviadas”. E a bipolaridade de muitos políticos continua nos espantando.

Eu ainda estou aqui. Não tão angustiada como no primeiro parágrafo. Confesso, que estou quase aliviada, pois aqui eu posso GRITAR:

QUE PAÍS É ESSE?

quarta-feira, 10 de março de 2010

Esqueçam a política!


Todos estão cientes das deficiências de nossa política. Falta-nos ética, transparência, responsabilidade e serviço. Aliás, quanta falta isso tudo nos faz.
Porém, ultimamente o que mais me indigna é a escassez de surpresas em nossa política. Há tempo nada mais nos surpreende. Não temos surpresas ruins, pois com estas já estamos acostumados, e mais infelizmente, também não somos agraciados com boas surpresas, já que essas são dissolvidas pelas anteriores.
Anseio por novidades nessa esfera. Repúdio rotinas. E exatamente nesse contexto que está nossa política. Estamos condenados a um ciclo vicioso, difícil de interromper. Um escândalo sucede o outro. E tudo isso acontece tão rápido, que já não lembramos qual deles precedeu o mais novo caso, envolvendo o Bancoop.

A política não nos surpreendi, talvez pelo fato de não ser feita para nós, o povo.

Não sinto-me representada ao ver tanta roubalheira e corrupção. Da mesma forma que não me identifico com a ironia e cinismo, por parte de muitos políticos. “Eles” não integram o “nós”, pois suas ações são sempre tomadas considerando o “eu”. E isso é realmente lamentável. Supera as barreiras do individualismo, sendo o mais triste exemplo de egoísmo.

Quero surpresas. Mas elas não vem. Quero mudanças. Mas estas estão difíceis de acontecer. A culpa é de quem? Talvez seja minha, que ao invés de estar lutando ativamente por elas, estou aqui, escrevendo este artigo, que pode sequer ser lido por alguém.

Embora não haja novidades em nossa política, há muito sofrimento em nossa sociedade.

Enquanto discute-se a questão Bancoop, brasileiros choram e padecem, frustrados com o sonho da casa própria.

Confesso a vocês que pouco me interessa saber quem está certo nessa história. Até porque, se não acabar pizza, o final será panetone. Não parabenizo a Veja pelo “furo”, tampouco coloco a “mão no fogo” pelo PT (aliás isso eu não faço mesmo!). O que faço, e isso com muito orgulho, é destacar os coadjuvantes desta história.

Esqueçam Vaccari. Ignorem o Lula e sua ministra. Rasguem a Veja dessa semana!

Prestem atenção no Sr. Oscar Costa. Magro, com aparência doentio, aos 53 anos, Oscar carrega consigo a desilusão da casa própria. Em 2000 confiou seu sonho de possuir imóvel a Bancoop, porém este “nunca saiu do chão”. Após anos de muitas brigas e protesto, Costa lamenta: “Há dois anos, recebi o diagnóstico de câncer de pulmão, o que me deixou sem forças para lutar. Perdi as esperanças.”

Pensem também na Tânia de Oliveira, casada com Heleno e mãe de Helena. O que para Tânia parecia uma grande oportunidade, revelou-lhe apenas sua inocência ao confiar “nessas instituições”. A família investiu no sonho da casa própria, tendo como cúmplice a Bancoop. Hoje, não têm casa. Nem os oitenta mil investidos no sonho.

Não se esqueçam também de Maria de Fátima Bonfim, dona de casa aposentada, que financiou seu imóvel com Bancoop, sempre honrando cada prestação. Realizou o sonho de ter sua casinha, porém hoje corre o risco de ser despejada, devido ação movida pela cooperativa. “Desde então, vivo o pesadelo de eles tirarem o meu único bem material. Durmo sob o efeito de calmantes.”, confessa a aposentada.

São estes os brasileiros. São com eles que me identifico. E tenho certeza, que com estes, jamais estaria perdendo tempo.
Ao que se refere a nossa política, fico pensado: Será que não é perda de tempo discutir com políticos, que no fundo no fundo, movem-se apenas por interesses próprios? Não estaria eu, compactuando com está chanchada institucional?
Não dá pra confiar. E nem a política atual é digna de confiança. Hoje há trocas de insultos, amanhã veremos protagonistas em cenas de abraços.

Enquanto isso a gente ri com malandragem. Ou chora, por não sermos nós, os malandros.

domingo, 7 de março de 2010

Um Exemplo de Mulher


Sentadas na cama, já a noite, ensinava-me. Com terço entre os dedos, a oração ia rezando, e bem devagarinho, fazia-me repetir. Lembro de ouví-la conversando com Deus baixinho, e sempre percebia que dizia meu nome. Rezava por mim.
Recordo-me do aroma da hora do almoço. A especialidade era carne com batata, e aquele arroz bem branquinho e soltinho, que só minha avó sabia fazer. Depois da refeição, descascava a laranja, e juntas, comíamos os gominhos.
Italiana tradicional, não dispensava a soneca depois do almoço, bem como a leitura do jornal matinal.
Depois do cochilo vovó cuidava de mim, atendia meu pedidos e também solicitava-me algumas coisinhas. Ela me amava, e eu amava-a mais ainda.

A história de minha avó, Dona Maria, daria um livro, seria digna de uma bela árvore, porém só pôde ela, ser mãe. Mãe de dois filhos, criados na roça. Marido quieto, submisso ao jeitão mandão de minha avó.
Era Dona Maria quem ia para roça colher algodão. Também era ela, quem preparava o almoço da “colônia”, cuidava dos filhos e de toda casa. Meu avô, apenas obedecia. E ai dele, se não obedecesse. Dona Maria não era brava. Era correta, por isso exigia que tudo saísse certinho. E para que tudo estivesse nos conformes, bastava estar do jeito dela.
Se precisasse brigar, minha avó não relutava. Da mesma forma que se fosse necessário ajudar, era ela, a primeira a se prontificar.

Minha avó tinha sonhos. A mais velha das mulheres, com dez irmãos brancos de alhos azuis, como os seus, Dona Maria, mesmo casada e mãe de um casal de filhos, queria mais. Sabia de seu potencial. Provou a todos a sua coragem.

Aos cinquenta anos, minha avó renasceu. Quis viver uma nova vida, longe de seu berço, distante de sua terra. Deixou São Lourenço do Turvo, com “uma mão na frente e outra atrás”, como dizem por aí. Nada tinha. Mas tinha tudo. O marido que a amava, e nunca foi capaz de lhe dizer um não. Dois filhos. Diferentes um do outro, mas que sabiam o significado da palavra “família”.
Vieram pra Campinas. O dinheiro das “vaquinhas” que minha avó vendeu lá no Turvo, foi suficiente para comprar um terreno e iniciar a construção da casinha. Mãos de fada na cozinha, e também na costura. Roupas feitas com carinho auxiliavam as finanças da família.
Logo, minha avó ficou viúva. No entanto, era ciente de suas responsabilidades. Conseguiu terminar a casa, e mais tarde, proporcionar conforto aos filhos.
A avó que criou dois filhos, também educou e cuidou quatro netos.

Bonita que só ela. Educada como ninguém. Guerreira como as de filme. Essa era Dona Maria.
Os olhos cor do mar me fascinavam. Seu amor estava ali. Não escondia de ninguém.
Minha avó, mudou seu destino. Abriu mão de tudo que havia conquistado no interior. Não porque a situação estava difícil por lá, mas sim por ser a aventureira, e ter garra para mudar.

Sempre ao meu lado era minha amiga. Orientou-me. Incentivou-me. E até hoje, não tenho dúvidas que rege por mim.

Ensinava-me muitas coisas, e com passar do tempo, também lhe ensinava outras tantas. Preparava meu almoço, mas chegou um dia, que eu tive que preparar. Quando pequena vovó dava meu banho, porém com a idade que avançava, era minha vez de banhá-la. Quando bebê, Dona Maria trocou muitas de minhas fraldinhas, e inesperadamente os papéis se inverteram.

A mulher forte, bela, esbanjando saúde, certo dia confundiu-se. Não lembrava de meu nome, e logo, esquecia-se de mim. Começou a andar vagarosamente, mas não demorou, para sequer andar. Um dia ela empurrou meu carrinho. No outro, estava eu a empurrar a cadeira de rodas.
Continuava bela como antes, mas não tão forte, nem tão saudável como outrora. Ainda assim, sorria. Mesmo quando os dentes, já lhe ardiam as gengivas.
Vovó foi emagrecendo. Conseguia carregá-la no colo, como muitas vezes me carregou.
Da cama, não conseguia sair, e a comida dava-lhe na boca.

Algumas vezes, minha avó acordava lúcida, voltando a ser minha confidente. Foi exatamente num momento de lucidez, que Dona Maria recebeu a notícia do falecimento de seu filho. Vovó, não merecia tamanho sofrimento. “Nunca pensei que iria enterrar um filho”, foi a despedida. Nossos corações choraram, junto com dela, que sangrava.
Como já disse, Dona Maria era forte, e sua missão não estava cumprida. Precisávamos dela.
Houveram momentos, que sequer minha avó conseguia abria os olhos. Mesmo assim, compartilhava meus segredos, dividia minhas vitórias. Cheguei a chorar minhas derrotadas. Estava adormecida. Embora tinha certeza de que estava me ouvindo, e inexplicavelmente me aconselhava.
Ela sempre estava ali. Meu espelho, meu exemplo de mulher. Vê-la me dava força. Seu sorriso estimulava-me. Enquanto seu olhar alimentava-me.

Com ela aprendi a ter respeito. Foi ela quem ensinou-me a amar, a perdoar e sempre, ajudar. Vovó deixou-me, atendendo-me o chamado lá do céu. Sem o meu exemplo de mulher, tive que tornar-me uma.
Como Dona Maria nunca serei. Dera eu ser metade da mulher que minha avó foi. Realizar um terço do que ela concretizou. Ter a coragem que tanto esbanjou.

À minha avó só posso agradecer. Por ela um único sentimento posso sentir: saudades. Muitas saudades!

Mais que Mulher: Mãe!



Mãe é aquela que dá vida. Sorri ao sentir a dor. É ela quem alimenta. Com seu leite, nos sacia. Cuida da casa, trabalha fora, e sempre tem um tempinho para nós, os filhos.
Mãe não divide o que tem. Ela simplesmente abre mão de seu pedaço.
Ela nos entende. Ouve. Aconselha-nos.
Sempre está certa. Sempre! Se mãe diz que vai chover, não chove. Cai uma tempestade.
Mãe sabe quando não estamos bem, e descobre quando estamos escondendo algo.

O amor é maternal, e esse não posso descrever com propriedade, pois ainda não tive o prazer de sentir. Mesmo assim, não tenho dúvida de sua força. Tampouco da intensidade. Mãe ama, e no seu coração “sempre cabe mais um.”
O melhor colo é do mãe. Ele acalenta. Aquece. Conforta.

Minha mãe, é minha melhor amiga. E nossa relação é de reciprocidade. Ela é minha fortaleza. O meu Porto Seguro.

Não soube definir o amor maternal, e confesso-lhes que não encontro definição para o amor que sinto por minha mãe. É algo além do amar, e que as palavras são insuficientes para expressar.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Política e Novela

Na verdade, o texto aqui postado, é uma resenha recentemente solicitada na disciplina de Telejornalismo. O tema é pertientente e instiga ao debate, por isso compartilho com vocês.


Em “Política e Novela”, a autora Esther Hamburger, inicia sua análise apresentando um breve histórico das telenovelas, que tornaram-se diárias a partir de 1963, com introdução do videotape, apresentando grande sucesso já em 70, com a Rede Globo, tendo destaque, inclusive, no exterior.
A autora considera vários trabalhos que analisaram a ideologia das novelas, num viés político, industrial e comercial. Sobre isso, Hamburger destaca que com a democratização na década de 80, as tramas novelísticas passaram a abordar temas nacionais, dilemas políticos, sendo que já em 90, chegam a intervir na política e em aspectos sociais, o que é justificado pelo “desgaste crescente da política institucional”, que “leva à busca de mecanismos informativos e formadores de opinião alternativos” (página 27).
Esther ressalta ainda que embora barreiras sejam diluídas entre novelas e demais gêneros, a intervenção política e social gera paradoxos, citando como exemplo a novela “Rei do Gado” (1996), que incorporou a luta pela reforma agrária, levando a novela às páginas políticas e editoriais.
Com esta contextualização a autora divide sua análise em duas partes.

A primeira considera a Política Institucional e tem como destaque o Senador Darcy Ribeiro, que dedicou duas de suas colunas da “Folha de S.Paulo”, ao Senador fictício Roberto Caxias, personagem honesto, voltado à reforma agrária como questão moral, interpretado em “Rei do Gado”.
No primeiro artigo dedicado à Caxias, Darcy Ribeiro faz alusão a Medida Provisória do presidente Fernando Henrique sobre o Imposto Territorial Rural, atribuindo o ato à campanha do Senador da ficção: “'Viva o Senador Caxias, que pôs a boca no mundo, dando voz veemente a esses reclamos. E viva FHC, que ouviu,afinal.'”(página 30).
Comprovando a interação real/ficção, Esther cita o capítulo em que Caxias salienta a perseverança de Darcy. Outro capítulo de destaque é o do funeral do Senador Roberto, embalado pelo choro do também personagem Regino, que supostamente foi inspirado em José Rainha, líder do MST (Movimento Sem-Terra). O velório teve ainda os pesares dos Senadores do universo real, Eduardo Suplicy e Benedita da Silva, havendo simultaneamente uma cobertura real e fictícia.
Este episódio voltou à mídia semanas depois, quando o funeral de Caxias foi relembrado pela coincidência do funeral de Darcy Ribeiro.

Embora Suplicy e Benedita da Silva tenham participado da novela, a autora Hamburger salienta que alguns políticos discordaram publicamente da trama, com críticas por difamação e distorção, o que o autor de “Rei do Gado”, Benedito Ruy Barbosa, negava, com justificativa de ter como intenção prestigiar o Congresso, através da honestidade de Caxias.
Com o discussão, “Rei do Gado” levou a política institucional para o caderno dominical televisão de “O Estado de S.Paulo”, além de a própria revista do PT (Partido dos Trabalhadores) debater a abordagem dos sem-terras.

No outro extremo Esther cita os líderes fazendeiros, que embora tenham se identificado com os ruralistas da ficção, discordavam da imagem retratada, sendo que chegaram a apelar à questões jurídicas, reivindicando direito à resposta, no episódio da morte do Senador Roberto Caxias, pois segundo interpretações, a novela deixava pressuposto a culpa dos ruralistas no fato. Tendo como contraste os líderes do MST, a autora cita as saudações e apoio à novela,embora valorizassem sua autonomia.
O assunto foi destaque na mídia, com discussões no Roda Viva da Tv Cultura, e espaço também para José Rainha que embora apoiasse a novela fez críticas, como da escolha da cor verde, ao invés do vermelho do MST.
A novela deu uma visibilidade inédita ao movimento dos sem-terras, instigando ao debate e gerando uma publicidade, até então inédita na TV.
Até no último capítulo, como destaca Esther Hamburger, a novela funde realidade e ficção, com a trama preparando a chegada de sem-terras à Brasília, o que se concretiza cerca de dois meses após o fim de “Rei do Gado”.

O texto “Política e Novela” ressalta “Rei do Gado” como responsável pelo rompimento de barreiras, permitindo a penetração da trama nas seções de Economia e Negócios, inclusive como um produto comercial. Chegou a pautar reportagens em revistas juvenis como a “Capricho”. Destaca que a trama conseguiu levar o gênero novela, considerado “menor”, para seções políticas, por exemplo.


Na segunda parte de sua análise, a autora situa-se no campo privado, no qual, segundo a própria afirma, o contexto doméstico considera como trama, não a reforma agrária, mas sim o adultério feminino e a violência contra a mulher, embora levantem o assunto agrário como crucial.
Nesse aspecto, os conflitos domésticos e a instabilidade familiar, representados na novela despertam a atenção de outros veículos, sendo que esses dramas acabam “funcionando como um idioma, um repertório por meio do qual telespectadores aludem as suas relações pessoais”(página 40).

Em relação a Caxias, Hamburger revela que o Senador é saudado pelo setor privado, quase que de forma unânime, assim como o posicionamento de Darcy Ribeiro, Benedita da Silva e Eduardo Suplicy, embora haja a sensação de que político como Roberto Caxias, só existe na ficção. Este assunto político torna-se consensual entre os telespectadores, não gerando grandes emoções, tampouco controvérsias. Alguns espectadores chegaram inclusive a ressaltar a idealização presente nos personagens da novela, com equívocos perante imagem dos fazendeiros e até a falta de autenticidade do MST.


Numa sucinta conclusão, Esther considera a intervenção de algumas tramas, em temas correntes, citando a novela “Explode Coração”, que abordou a caso de crianças desaparecidas, com referências políticas, exibição de imagens das crianças, que promoveu reunião de famílias, havendo até “merchandising social”(propaganda de ONGs, como “Viva Cazuza”).

A autora ressalta ainda, em sua analise concluente, a indiferença de alguns telespectadores perante a participação de políticos em “Rei do Gado, contrastando com aqueles que julgavam como “oportunismo politico”.
Além disso, Hamburger considera a violação partidária de Rei do Gado, não legitimando a novela como “independente”.

Esther Hamburger finaliza seu texto, levantando paradoxos, já que, embora novela seja voltada para as mulheres, muitos homens são seus telespectadores, da mesma forma que, embora as tramas sejam voltadas para vida doméstica e privada, também aborda-se a politica e a vida pública.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Enquanto pensava em mim, muitos pensavam em nós


O que de importante aconteceu para você em 2008?

Confesso a vocês que foi um ano de muitas dificuldades em minha família, compensadas por um rico aprendizado.
Em 2008, acabei o Ensino Médio, participei ativamente de assuntos políticos, com ênfase na Ensino Público. Também foi neste ano que prestei vestibular. E fiz muitos amigos.
Eu nem imaginava, mas paralelamente a isso tudo, a “Campanha Ficha Limpa” foi lançada.

Como vestibulanda, eu tinha um único objetivo: ser aprovada numa boa faculdade. No plano paralelo, a Campanha desenhava sua intenção: melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país.
Eu elaborei um plano de estudos, e curiosamente a Ficha Limpa também partiu para elaboração. Constituiu um Projeto de Lei, através da iniciativa popular, com a pretensão de tornar mais rígidos os critérios que avaliam quem não pode se candidatar.
Logo que saiu o resultado das provas universitárias, recebi a aprovação, comemorada com muita alegria e satisfação. No entanto, o Plano de Lei, que parecia trilhar caminho convergente ao meu, não teve a mesma sorte. Ainda hoje, quando já curso o segundo ano de faculdade, o plano da Campanha Ficha Limpa precisa ser votado e aprovado no Congresso Nacional para se tornar lei e passar a valer nas eleições brasileiras.

O Projeto tem garra, força e persistência. Por isso me identifico tanto. Com muita dedicação e seriedade, a Campanha entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, o Projeto com 1 milhão e 300 mil assinaturas, que corresponde a 1% do eleitorado brasileiro. Já foi protocolado na Câmara e iniciou seu processo de tramitação na Casa.

Minha iniciativa de ingressar numa universidade justificava-se pela realização profissional, e também bem justificada é a proposta da Campanha com o alicerce numa necessidade expressa na Constituição de 88, que determina a “inclusão de novos critérios de inelegibilidades, considerando a vida pregressa dos candidatos”. Desta forma,quando aprovado, o Projeto de Lei vai alterar a Lei das Inelegibilidades, de 1990.
Fui muito pretensiosa em minha escolha. E coincidentemente o Ficha Limpa tem sua pretensão: aumentar as situações que proíbam o registro de uma candidatura. Estariam, por exemplo, impedidos de candidatar-se, parlamentares que renunciaram a fim de evitar abertura de processo e fugir de punições e também pessoas condenadas em representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa. Pretende-se ainda aumentar o período que impede a candidatura, passando a ser de oito anos, além de agilizar os processos judiciais sobre abuso de poder nas eleições.
Para conquistar meus objetivos, precisei de muita dedicação, apoio dos familiares, amigos, auxílio dos professores. E agora, em 2010, já com novas metas e novos projetos, continuo a contar com círculo de amigos, os contatos adquiridos e toda a experiência dos que me rodeiam.
E nesta situação, está a Campanha Ficha Limpa, que necessita do auxílio dos seguidores do projeto, e também da sociedade que almeja uma política para o povo, imune de corrupção, falcatruas e escândalos, que tanto nos entristecem, decepciona-nos, criando uma população descrente. O Ficha Limpa precisou de minha ajuda, e a fiz como pude. Foi bem mais fácil do que imaginei, e o bacana é que TODOS podem contribuir com a Campanha. A recompensa é ser cúmplice de uma eleição com políticos dignos de nos representar, envolvidos numa política Limpa, como o próprio nome sugere.
Precisamos de você, meu colega leitor e de todos que acreditam num Brasil, para os brasileiros!

O Projeto vai ser votado esse mês e a pressão será forte! Até o momento desta postagem 1.588.359 pessoas assinaram a Campanha contra a corrupção. Ajude-nos a alcançar os 2 milhões de assinaturas. É chance de mostrarmos que não somos esse povo alienado, tampouco passivo, que muitos berram por aí. Chegou a hora de mostrarmos quem são os verdadeiros poderosos deste país.

Assine através do link: http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/97.php?l_tta_sign=5ecf16f5f96d9b4e9aa5a683fa251e22

Para conhecer detalhes da Lei http://www.mcce.org.br/node/8

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Prefiro os loucos

Em “Fama e Anonimato” Gay Talese ensina-nos um novo Jornalismo, trançando a realidade, desvendo o real, noticiando o que não seria notícia no jornal tradicional. Mais que uma literatura, o relato de Talese revela, mostra e elucida: nas ruas estão as melhores pautas, nas calçadas os melhores assuntos, nos portões as mais preciosas fontes.
Caminhar pela cidade, extrapola as fronteiras teóricas da faculdade, proporcionando belas aulas práticas, numa vivência prazerosa e enriquecedora. A cada esquina uma novidade. Em cada faixa de pedestre uma pauta.
No ponto, aguardar o ônibus que não vem, além de cansativo é preocupante. Olhares no relógio anunciam a pressa, alertando o atraso. Com fones de ouvindo, as pessoas sequer se olham, fitando apenas a rua, na espera ansiosa da condução.
O trânsito se intensifica, enquanto nas calçadas, pessoas se aglomeram. Umas chegam, outras partem. Algumas simplesmente caminham. De manhã uns vão ao trabalho, ao colégio ou faculdade, cruzando com senhoras e senhores que simplesmente rodeiam por ali, acompanhadas pelo melhor amigo do homem, que precisa fazer as necessidades.
De pé, sob a placa “Ponto de ônibus”, começava a olhar para o relógio, dado o atraso do transporte coletivo. Conversas fazem com que o tempo passe mais rápido, e de forma mais gostosa, porém com os Ipods, cada um isola-se em seu “mundinho”, com trilhas sonoras que variam do sertanejo à eletrônica.

São nas horas de descrença que descobrimos o valor e voltamos a acreditar. Decepcionada com as relações entre as pessoas, a falta de contato pessoal, fui surpreendida com um belo cachorrinho, aparentando velhice, embora ainda houvesse força para levar seu dono para um passeio matinal. Dono esse, das antigas, que não dispensa um bom dia, e presenteia o nascer do sol com um sorriso. E também presenteou-me com tal. Cumprimentou-me num sorriso, já envolto a rugas e muita experiência. Senhor aperfeiçoado, bem vestido, guiado por seu cão. Junto a cordialidade fez-me um pedido: “A senhora tem cartão telefônico vazio?”. Curioso e surpreendente tratar-me como “senhora”, da mesma forma que fiquei surpresa com o pergunta. Não tinha o cartão, mas para aquele senhor não tinha importância. Logo resolveu a questão: “Então, quando a senhora tiver, me ligue”, passando-me na sequência seu número telefônico. A alegria e a expectativa de receber o cartão foi contagiante. Num belo abrir de lábios, desejou-me boa semana.
Ainda na espera, atentei-me a lucidez das pessoas ali no ponto, e percebi uma ignorância sentida. No entanto, o senhor “colecionador de cartões de telefone” que, talvez lembre-se apenas de seu passado, acometido por doenças da velhice, fez-me voltar a crer no homem. Acreditar nas relações de afeto, no respeito e na educação.

A lucidez da individualidade, aliada a virtualidade das relações não nos faz esquecer nomes, fatos importantes da vida, porém não garante a percepção, tampouco a valorização dos laços com o próximo. As pessoas se afastam. E o ônibus não vem. As pessoas não se olham. E ainda aguardam a chegada da condução. Parado o ônibus, sente-se o calor humano, num empurra-empurra lúcido, sem considerar a senhora que está de pé, ou grávida com os pés inchados.

Antes um Universo de “loucos”, sem caráter pejorativo a palavra, que um mundo lúcido. A lucidez nos alienia, e como consequência fasta-nos. Somos lúcidos, mas insensíveis. Além do mais, do que vale a lucidez, quando, ao que parece, perdemos-a nos momentos mais importantes de nossa vida? Nas eleições, por exemplo, é visível a escassez de pessoas lúcidas, bem como a falta de memória dos eleitores, que ano após ano, erram. Pecando por insistir neste erro.

Quem esquece ou ignora o desejo de um bom dia, não tem sensibilidade para eleger um representante, quem dirá representar. Fico com os não lúcidos, que ao menos alegram o dia com seu sorriso.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Objeto de segunda: são só garotos


No Congresso do PT, Dilma Rousseff foi lançada pré-candidata à Presidência. Muitas marchinhas embalaram a cerimônia, muita troca de elogios, sedas rasgadas, ostentações trocadas. No painel, o “cara” e a “coroa”, sob o slogan: “Com Dilma, pelo caminho Lula que nos ensinou”.
Dilma já dançou com a vassoura, e esforça-se para entrar no “reboletion”. Dilma é a escolhida. Escolhida em meio ao vazio.
Rousseff é ministra. Uma ministra que também é mãe, já foi filha, e logo será avó. Dilma é mulher. E a mulher, segundo o nobre presidente Lula “ainda é tratada como se fosse objeto de segunda classe.”

Nós, mulheres, já fomos chamadas de sexo frágil. Nos proibiram de votar, e mesmo de trabalhar. Trancafiadas no lar, éramos simples amélias. Vivíamos escondidas, entre panos de roupas e janelas entreabertas. Nos inferiorizavam, sob a máscara da proteção. Fomos submissas, mas jamais dominadas. Os homens eram a cabeça da casa, e a mulher sempre foi e será o coração.

Tímidas, mais com coragem, conquistamos direitos de cidadãs, e além de termos responsabilidades em eleger, muitas de nós, são eleitas. Trabalhamos em casa, ao mesmo tempo que somos aptas a exercer funções fora do lar. E exercemos bem. Tão bem quanto os homens, ou muito melhor que tais. Sem esconderijos, aparecemos na sociedade, e muitas ocasiões, roubamos a cena. Nem abaixo, tampouco atrás. Desfilamos ao lado do sexo oposto. Nunca fomos dominadas, e já ameaçamos dominar.

Não quero polemizar, muito menos ser feminista, porém prezo por minha franqueza e divido com vocês minha íntima percepção: Não vejo homens como preconceituosos, mas sim como medrosos, sem que isso represente uma ofensa aos rapazes. Não é preconceito, é temor. Medo de perder espaço. Temor de tornar-se o sexo frágil. As mulheres ainda ganham menos que os homens, porém a cada dia que passa, protagonizam cargos de liderança e chefia, comprometendo a imponência masculina.

Os homens mais espertos, já aprenderam a cozinhar e não relutam em cuidar das crianças, afinal todos sabem que garotos “perto de uma mulher, são só garotos.”

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A frustração de ser Jornalista


Sempre tive a certeza de que fiz a escolha correta: ser jornalista. Pode parecer precoce, mas a cada aula na faculdade elucida-se minha paixão pelo Jornalismo. Fora de classe, busco atividades na minha área, almejando experiências, prática e vivência. No rádio, na TV e no impresso, a satisfação é minha recompensa.

A mais recente realização profissional foi o projeto do documentário “Entre Tramas e Banzeiros”, que concluí semanas atrás. Exercitei o desenvolvimento de roteiros, a prática de decupar e a habilidade de editar, tudo isso narrado num cenário maravilhoso e indescritível: a Amazônia.
Lá, muitas coisas conheci, aprendi e presenciei. E também foi na região de Manaus que senti-me frustrada, decepcionada e e impotente.

Na função de jornalista, acompanhei colegas de faculdade em visitas a casas de comunitários. Foi-me revelada uma realidade simples, mas feliz. Feliz, mas nem sempre digna. Pessoas superiores, capazes de sorrir em meio a adversidade, porém que sofrem. Sofrimento evitável, mas que não se tenta evitar. Não há políticas públicas, não há Governo, apenas promessas.
Passei alguns dias em comunidades sem postos de saúde, sem escolas, sem luz, tampouco água. Foram cinco dias num local isolado, pouco lembrado, senão nos anos eleitorais. Presenciei momentos de dificuldades, que confortam-se na esperança, Vi de perto, problemas sociais, confortados pelo sonho. Ouvi sobre os dilemas. Escutei sobre precaridades.
Anotava os causos, as histórias. Muitas eram tristes, mas tinham o pranto, enxuto pela luta. Documentava a indignação daquelas pessoas, que se saciava pela união entre os comunitários. Enquanto isso a cinegrafista filmava. Oito horas de gravação. Insuficientes para encontramos uma solução.

Frustração. Decepção. Reduzia-me ao indiferente. Ao incapaz. Era jornalista, com uma boa pauta, um roteiro elaborado e uma expectativa promissora. Ao mesmo tempo, não era ninguém. Nada podia fazer, a não ser ouvir e ver. Contavam-me os obstáculos da vida ribeirinha, e com dor no coração, só podia dizer: “Sinto muito”, e ainda mais sem graça, agradecia o depoimento.

Orgulho-me de minha profissão, mas sinto-me infeliz com a restrição do simples ato de informar. O Jornalismo, embora relutem, também tem poder fiscalizador e deveria encontrar as saídas. Tenho a ciência da importância da imparcialidade, o que implicaria no não envolvimento dos fatos. Mas ficaria muito mais feliz, se além de relatar, encontrasse uma solução. Se além de noticiar, resolvesse.

Cheguei a questionar-me, o porquê de fazer Jornalismo, se sequer posso dividir com meu próximo uma vida digna. Se sou incapaz de melhorar a vida daqueles que carecem.
O conforto desta frustração vem com texto jornalístico. Uma escrita difícil, que trata de casos ainda mais complicados. Palavras ordenadas que precisam passar, sem parcialidade, a situação tratada. Se não posso fazer, escrevo. E nessa escrita, procuro no mínimo sensibilizar. Sensibilizar, aquele que é capaz de fazer.

Meu único temor, peca pela generalização, a medida que enxergo nossos políticos, os únicos capazes e responsáveis pelas condições básicas dos cidadãos, como pessoas insensíveis. Uma insensibilidade envolta em ironia, cinismo e máscaras, guardadas em meias e cuecas.

Representantes sem sensibilidade, obrigam profissionais sem responsabilidade social, ir além das funções exigidas no cargo. E é isso que pretendo fazer. Em breve, espero trazer novidades, através das quais, além da informação, esteja apta ao auxílio e a algumas soluções.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Na época do Ensino Médio...

Hoje é dia do Ensino Médio no Brasil. Poderia publicar aqui dados, números que mostrem a realidade deste nível escolar. No entanto, a matemática é racional demais, e não tenho muita simpatia pelas áreas exatas. Falar da educação, é falar de pessoas, o que exige humanismo e uma pitada de emoção.
Para dar esse tom mais particular, divido com vocês a experiência que tive em 2008.
Sempre estudei em colégios particulares de Campinas, mas a instabilidade da vida fez com que, no último ano do Ensino Médio, conhecesse a realidade da Rede Pública de Ensino.
O primeiro dia foi de choro. Ficou explicita a realidade da escola, estando visível as dificuldades, os obstáculos e empecilhos, que nós, alunos de escolas públicas, enfrentaríamos. Vestibular parecia-nos uma ilusão, ou um belo, mas longínquo sonho. A solução seria estudar por conta. Dedicar de cabeça nos estudos. Porque depender do Governo, sabe como é...

Recebemos do Estado, parte do material escolar: pasta, canetas, lápis e cadernos. Para “incrementar” o conteúdo dos livros, as disciplinas ganhavam um jornal com conteúdo atrasado, e alguns exercícios, os quais continham muitos erros, ambiguidades e incompreensões. Passado o jornal, começamos a receber revistas de atualidade da Abril. Os exemplares chegavam a nós, após meses empacados nas bancas, tornando-se um grande livro de desatualidade, comprovando o atraso da rede pública.
Não tínhamos acesso a Internet e as instalações eram precárias, com risco inclusive, de desmoronar.
Preciso ressaltar que a escola pública que estudei, por privilégio, era referência na região de minha cidade, porém, naquele ano, o governo iniciou uma política de nivelação, e como é praxe em nosso país, nivelou-se por baixo.
Lá conheci as políticas que “beneficiam” a população menos favorecida. Infelizmente, não fiquei craque nos logarítimos, nem capaz de diferenciar as rochas, porém aprendi a superar dificuldades e encará-las de frente.
Tornei-me cidadã, com desejo de melhorar e com disposição para lutar. Naquela escola, de ensino inferior deixei minha contribuição, e tive colegas que contribuíram com parceria e reciprocidade. Participante da Comissão de Alunos, aproximei-me da política, enxerguei possibilidades, pressionei órgãos públicos e vi de perto muitas falcatruas.
Conheci uma nova juventude, que antes de prestar vestibular, precisava trabalhar. Jovens que poderiam não ganhar a vaga na Universidade, mas tinham um belo exemplo de vida para relatar. Moços e moças que conhecem as dificuldades e por isso valorizam momentos simples de calmaria. Sabem dos obstáculos e estão dispostos a superá-los.
Conheci professores, que embora não tenham recursos suficientes para dar uma boa aula, estavam sempre a disposição dos alunos, e na maneira do possível, ignoravam o cronograma chulo do governo, tornando as aulas mais dignas, e muito mais enriquecedoras.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Campanha da Fraternidade 2010

Na quarta-feira de Cinzas, inicia o tempo quaresmal, que sucede a Páscoa. A quaresma é um tempo de reflexão e também de penitência. Junto com este período de quarenta dias, inicia-se a liturgia, regida pela Campanha da Fraternidade.

O tema da Campanha da Fraternidade 2010 é “Economia e Fraternidade”, com o lema “Vós não podeis servir a Deus e ao Dinheiro.” O tema é pertinente, num mundo globalizado e capitalista, que recentemente passou por uma crise, regada à recessão. A mensagem litúrgica surge como boa oportunidade para praticar o desapego perante os bens de consumo, valorizando muito mais o “ser”, do que o “ter”.

Sabe-se que o homem torna-se escravo perante à avareza. É certo que o dinheiro não é um mal, pelo contrario, serve como instrumento de troca, o que deveria facilitar o câmbio, as relações comerciais. No entanto, a moeda de valor afasta das pessoas um sentimento de solidariedade, bem como o espírito de partilha, a medida que cria sujeitos individualistas e por consequência egoístas. Isso tudo, reflete numa sociedade bastante desigual, na qual, como afirma o Diácono José Antônio Jorge, “uns se afogam no supérfluo, enquanto outros miseráveis não têm o mínimo para um vida digna.”

Seguir a Palavra Divina pressupõe abrir mão de muitas práticas mundanas, e este ano a Campanha Fraternidade coloca-nos um ponto crucial: como abrir mão do dinheiro, numa sociedade regida pelo poder de compra? Renunciar à moeda, significa a renúncia ao poder, num mundo em que a competição é acirrada, e o egocentrismo esquece das palavras divinas: “Amar o próximo como a si mesmo.”

Servir Deus ou Dinheiro, lembra-me a berlinda da escolha entre o pai e a mãe. Confesso que sinto-me culpada por pensar assim. Sinto-me fraca e dominada pelo capital. Dividida entre àquele que me criou, e aquele que quer me destruir. Deus nosso Pai, que nos ensina sem cobranças. O dinheiro que cobra, sem nos ensinar.

Apesar de católica e frequentadora da Igreja, poucas vezes parei para ler a Bíblia, conhecendo a Palavra do Livro Sagrado, apenas pelo sermão do Padre ou a instrução de catequistas.

O capital faz parte de nosso cotidiano, abandoná-lo é abdicar a vida como a sociedade ostenta. A grande questão é que não podemos tornar-nos dominados pela moeda, nem colocá-la acima de nossos irmãos, do próximo. O dinheiro deve facilitar, mas jamais substituir. Entre Deus e o dinheiro, o mais emocional e digno é optar pelo Pai, embora racionalmente, muitos não oscilassem escolher o dinheiro. Deve haver um equilíbrio, no qual o dinheiro compre o necessário, e seja uma ferramenta para prática de solidariedade, caridade e partilha. Não o contrário.

Deus está sempre com a gente, amamos-o acima de tudo e de todos, é incontestável. O lema faz reavaliar conceitos, reanalisar costumes. O que vale mais uma nota de cem, ou o conforto de termos um ser Supremo, que tantas coisas belas criou?