sábado, 10 de março de 2012

Um medo recíproco

Desde pequenos, a gente se comporta pra não ficar de castigo e estuda pra evitar a recuperação.
As normas são seguidas pra evitar ser demitido. Evita-se conversas, pois têm potencial para virar árduas discussões.
Vive-se perante a intimidação...

Não cumprimentamos o jovem vizinho por ele ser usuário de drogas. Desconfiamos do outro por parecer psicopata e nos olhar fixo demais.
Ignoramos o porteiro porque sequer sabemos de onde ele veio. Sequer vemos a faxineira do prédio.
Não damos esmolas por receio.
Os vidros estão sempre fechados.
A visita só entra em casa depois de atravessar vários portões.
Até o barulho provocado pelo vento nos assusta.

Desconfiamos até, daqueles que que mais amamos - afinal, até eles nos decepcionam, nos traem.
Não é da sombra que nasce a desconfiança. É de nosso corpo, de nossa própria mente. Nós mesmos não nos conhecemos em determinadas situações. A gente não se reconhece mais.

Os olhares evitam fitar outros olhos.
As mãos não se tocam - corre-se o risco de se agredirem.
É gente com medo de gente...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma ideia. Uma vontade

Eu quero falar de algo que mal tenho forças pra ver.
Contar algo que jamais gostaria de passar.
Mostrar aquilo que dói só de saber.
Entender e ajudar que entendam sobre algo que não fazemos questão de imaginar.
Escrever uma história que foi. Está sendo. E que vai acabar.
No qual os coadjuvantes sejam os protogonistas.
Num começo que se estrutura pelo fim.

No mesmo hospital...


Vi recém-nascidos saindo...
No colo, em cestinhas. Meninas de cor de rosa e lilás. Garotinhos de verde e azul.
Mães felizes, pais orgulhosos. Uma vida!

No mesmo corredor tinha macas. Sobre elas, gente. Gente com dor. Gente de idade. Gente esperando.
Estavam vivendo... Morrendo...

Ao lado a capela. Nela, uma mulher segurava terço. Dos olhos, as lágrimas.
Um ombro a confortava.
Uma morte...

quinta-feira, 8 de março de 2012

Essa mulher

Eu lembro dos olhos azuis, dos fios de cabelo brancos e das mãos enrugadas.
Não me esqueço da pele fina da perna e do ombro que foi se encurvando.
Recordo-me dos momentos em que fui cuidada por ela. Orgulho do dia que pude retribuir com meus cuidados.

Olhos de quem fita para sempre falar a verdade.
Cabelos que revelam a idade e denunciam a sabedoria: não o contrário.
Mãos de quem trabalhou e venceu.
Pele da delicadeza.
Curvou-se como mostra de humildade.
Fez e ensinou...
Espero ter aprendido.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Pro Dia da Mulher

A fragilidade é o que dá valor a taça de cristal.
A lágrima é o que torna o momento emocionante.
É a delicadeza da rosa que permite que ela exale o perfume.
São com palavras doces que os momentos se eternizam.

É a emoção feminina que consegue dissolver a racionalidade do mundo.
Não é estar em altos cargos. É poder dar a luz a alguém.
Não é por igualdade. Não é o espaço do homem. Não é competir com eles.
Quer-se poder ser mulher.

Obs: Foram poucas as palavras neste post, pois muito já se falou do sexo feminino. Inspiração dos compositores e poetas.
O seio da família. O colo dos filhos. A sensibilidade que faltava. Falar de si é muito complicado. Quando se é mulher é ainda mais complexo. - Eu simplesmente diria: Parabéns, mulher! - O desafio é grande.

segunda-feira, 5 de março de 2012

"Eu, a mídia e o mundo contemporâneo"


Só pra deixar claro: Esse post não é uma crítica ao Jornalismo, mas sim uma vontade de fazer melhor.
O tema (o título deste post) me foi dado por um professor, um exercício em sala de aula, na faculdade de Jornalismo. Vamos lá!



Eu me apaixono, enquanto a mídia me faz desapaixonar: São assassinatos e assassinos. Tem marido matando mulher. Tem mulher morta pelo filho. Tem filha que tem a vida roubada pelo namorado. Tem família que chora. Têm solitários que reclamam. Pra alguns falta água. Pra outros, sequer teto.

A mídia sabe e me conta. Conta pra todos, revela, mas a gente logo esquece.
Esqueço porque me apaixono. Apaixono-me pelo mesmo mundo do noticiário. Pelas mesmas pessoas que saem nele.

Eu esqueço e a mídia também. O novo sobressai o velho sem que este complete um aniversário. Eu sigo esse ritmo: O contemporâneo em que ninguém tem tempo pra nada. Um atropelo mútuo. Somos desenfreados e estamos sempre com pé no acelerador.
Eu também tento me aventurar, no entanto sai no jornal, vejo na TV e me falam no rádio: Tem gente que bebe, dirige e mata. Tem quem suba o Everest e nunca volte. Há quem vislumbre o céu, mas tem como destino a terra.

Ainda ouso sorrir, quando nas manchetes vejo gente que chora. Mostram-me filas em locais em que não se pode esperar. Vejo crianças sem brinquedos. Trabalhadores sem emprego. Doente sem remédio. Estudante com nenhum livro.
Penso também em ganhar dinheiro, constituir e manter uma família. No entanto, é a mídia que me mostra que é difícil, todavia que pode ser muito fácil. São colarinhos brancos, gravatas e maletas. Os caminhos têm sempre desvios. Os destinos nunca são os dos papéis.

Já imaginei um mundo dos contos de fadas e se não fosse o âncora do jornal, o repórter da matéria, o produtor que pensou, o editor que deu o “ok”, talvez eu pudesse viver nele. Eu prefiro ouvir o “hard news”, ver o jornal do meio-dia, ler nem que seja a edição de ontem. Eu posso clicar na web. Mas também posso me fechar.

Interesso-me só por aquilo que é do meu interesse. Criamos mundos não é? “Cada um no seu mundinho”. Como diziam: “cada macaco no seu galho”. É, nós criamos, ou alguém criou e a mídia, toda poderosa, toda influente, aproveitou esta oportunidade. Eu vejo uma sociedade que lutou contra a segregação e hoje é segmentada nos assuntos tratados nos jornais e revistas. Sei que muita gente lutou por uma democracia, no entanto nos jornais o que vejo é uma minoria. De vez em quando dão espaço pro mais pobre falar, escrevem a matéria do jornal, publicam. Mas esquecem que o mais pobre, sequer sabe ler.

Já vi frieza em horas que exigem emoção. É a tal objetividade. No entanto, como ser objetivo num mundo tão complexo? Tem gente que tenta ouvir os dois lados, mas não percebe que se trata de círculo.

Cidadã que lê, ouve, vê e procura na Internet. Chega a hora que se transforma.
Viro jornalista. Já não leio, não vejo e prefiro não ouvir. Eu produzo. Produzo com a consciência de que não posso cair no industrial. Prezo pelo artesanato, num deadline que nem as fábricas da China seriam capazes de cumprir.

Todavia, esculpir é arte do jornalista. Apurar é escolher a aquarela. Checar é verificar os pincéis. Credibilidade vem na tela de pintura. O compromisso com leitor é a mão que faz o desenho. Pintar uma realidade: É isso que Jornalismo faz -Uns com traços grotescos, outros ficam no abstrato.

Jornalismo é pintura que causa reações e por isso se deve ter todo cuidado ao pintar com preto. Porém, nem tudo pode ser branco, porque a alienação deve ser combatida.
Não sei como é para o pintor. Mas no quadro diário do jornalismo não é fácil encontrar a melhor nuance. Fazer as sombras é para os mestres. Não se perder no tom exige conhecimento.

Vejo muitos quadros. Alguns até iguais. Poucos são feitos por artistas.
Vejo telas sujas e feias. E me avisam que é essa realidade.
Visto-me de artista ou mera jornalista e comprovo que o mundo é mesmo assim. Eles não me enganam. Eu não tento enganar quem me lê. Eu retrato o que vejo, o que me contam. O problema é que eu, eles e até os melhores pintores, esquecem que a mesma “Monalisa” poderia ser vista de perfil: o direito e o esquerdo. Retratada de costas. Da cintura pra baixo...

A realidade de hoje é essa. A imprensa tem a possibilidade. O jornalista tem a técnica. Às vezes sinto falta da sensibilidade. Não é chorar: é enxergar além do que se pode ver.

domingo, 4 de março de 2012

Comigo é assim

Daí você tem medo e ele te assusta.
Sente-se insegura e o que faz é dar-lhe dúvidas.
Você é indecisa e não o vê tomando uma decisão.

Você precisa ouvir o que ele não sabe falar.
Por medo, insegurança. Mera indecisão.

sexta-feira, 2 de março de 2012

O amor, segundo Gikovate


Tive a oportunidade de conversar e o ouvir as sábias análises do Dr. Flávio Gikovate.
Cada palavra veio na hora certa. Para a pessoa certa. E do jeito certo.
Foram "tapas na cara" sem dor.
Acordou-me, mas eu não estava dormindo.
Falou de amor com quem se quer sabe o que significa.
Não sabe, no entanto tinha certeza que sabia. Amar é respeitar a individualidade de cada um! Porém são tantas emoções contrárias a tal ideia: O ciúme, a possessividade, egoísmo.
É comum ouvir de um casal: "Somos um". É o grande erro dos enamorados. Ceder é difícil. Ainda mais complicado é respeitar que somos diferentes.
A gente sabe que os opostos se atraem. Todovia, não compreendemos os extremos de cada um. Apaixonar-se por alguém interessante é abrir mão de um tanto de outras pessoas tão interessantes quanto - ou até mais.
Escolher é sempre difícil. E talvez o problema - assim penso eu - é que hoje as escolhas não são definitivas. Nós podemos errar. Errar de novo e insistir no erro. Um sequência de sofrimento próprio e dos envolvidos.
A gente erra por não aprender com erro. Sem aprendizagem nunca vamos encontrar o certo.
Gikovate falou das pessoas que casam duas, três, quatro, cinco... vezes! Ele acredita que há dois perfis neste caso: 1) A pessoa sempre casa com mesmo tipo de pessoa e por isso o fim é sempre o mesmo: sepração. 2) Ela gosta mesmo de trocar.
O primeiro deve ter mais jeito. É só alguém falar pra ele - mas hoje em dia alguém ainda ouve o outro alguém?

E as solteiras - como eu. Umas desemperadas - vai chegando a idade... A grande pergunta é por que está tão difícil um relacionamento sério. - principalmente para as mulheres.
O psiquiatra mais uma vez nos traz a realidade. O número de homens e mulheres interessantes não é compatível. Nas universidades de 100, 60 são mulheres e 40 homens. E ai, o que fazemos com as 20 mulheres que sobram? - 20 na melhor das hipóteses, bem lembrou uma moça da plateia, já que há ainda os homossexuais.
Essa é a lógica. Uma lógica que também entra no capitalismo. 40 homens disputados por 60 mulheres. Lei da demanda e da procura.
Mulheres que sonham casar... Homens que sempre adiam.
Na briga, vence as que não pressionam. Vence o compromisso descompromissado: "Vamos ver no que vai dar".
Não é nada democrático. É a minoria que comanda, simplesmente por que estar sozinho para muitos é insustentável - muitos autores, inclusive, reforçarm essa ideia. Gikovate vai contrário a tudo isso. É prático, não dá conselhos.
Abre os olhos.
Não é otimista, apenas apresenta a realidade.
O otimismo depende da gente. A interpretação é para nós.

Sofrer num amor, ou ser feliz na individualidade? Pra ele podemos viver sozinhos. Sozinhos mesmo estando juntos - um belo segredo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Mudança


Um dia você solta a mão.
No outro tira as rodinhas.
Você segue o caminho que alguém trilha.
Até que você encontra o seu.