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terça-feira, 1 de maio de 2012
Bituca
Não tive dúvidas de que ela queria algo.
Precisava de alguma coisa. Talvez, de alguém.
Gritava, gemia.
Fazia frio. Mais cedo, inclusive, Campinas registrou a temperatura mais baixa do ano de 2012. Assim, informou o Cepagri: Às 6h40 do Dia do Trabalho, 13.1 graus na cidade.
Ela pode ter passado frio. Mas, receio de que tenha sentido.
Passou por mim, no centro do município. Deserto, dado o feriado. Ninguém na rua. Nem na calçada.
Eu e ela.
Procurava. E achou o que queria, o que precisava.
Uma bituca de cigarro. Amassado e bem na bituca. Pisado, entre a calçada e a Av. Benjamin Constant. Viu, pegou, levou à boca. Necessitava. Tentou fumar.
Parou de gritar, não ouvi mais gemer.
Se foi, com a bituca.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Seríamos...

Porque em silêncio, eles pedem.
Internamente, gritam.
Nos chamam, a nos olhar.
Precisam, mas talvez tenham orgulho - Vergonha.
O silêncio não se ouve.
Apenas o externo é visível - infelizmente.
Olhares que se desviam.
Pode-se ajudar, no entanto intimida-se - e não é intencional.
As pessoas simplesmente se completam.
Só não compreenderam isto - ainda.
terça-feira, 20 de março de 2012
Então diga...

Amar: o mais belo dos sentimentos.
Democrático, já que todos podem senti-lo.
Justo, pois qualquer um pode ser amado - uns mais que outros, é certo.
Não escolhe a hora, o lugar, tampouco a pessoa. Sequer precisa de motivo.
O amor...
Maior que a dor de amar é o incômodo de expressar que está amando.
Ama-se e não tenho coragem de revelar.
E é recíproco. O outro também pode ter receio de manifestar afeto.
Não falo dos "lances" de hoje em dia, da paquera jovial. Destaco o amor. O amor...
Não gostar de alguém é um direito.
Dizer "Eu te amo" um desafio.
domingo, 18 de março de 2012
Se envolve política...
Tudo vai bem.
Tudo vai legal.
A ideia é boa.
As pessoas que a abraçam também são.
Fazem o bem.
E então entram interesses.
Precisam de dinheiro.
Dinheiro que nunca vem fácil.
Entram outras pessoas.
Com novos interesses.
Fazendo política.
Politicagem.
Estragam.
Não fazem o mal, talvez.
Fazem o bem. Um bem egoísta. Benefício próprio.
Nada mais vai bem.
Nada fica legal.
Tudo vai legal.
A ideia é boa.
As pessoas que a abraçam também são.
Fazem o bem.
E então entram interesses.
Precisam de dinheiro.
Dinheiro que nunca vem fácil.
Entram outras pessoas.
Com novos interesses.
Fazendo política.
Politicagem.
Estragam.
Não fazem o mal, talvez.
Fazem o bem. Um bem egoísta. Benefício próprio.
Nada mais vai bem.
Nada fica legal.
sábado, 17 de março de 2012
Se não fossem eles, nem saberíamos...
Olhos vidrados.
Pra que piscar?
Dirigiam-nos perguntas, questionamentos contextualizados.
Eufóricos uns respondiam. Em dúvida, outros se calavam.
Todos na espera do desfecho, que professor daria.
Uma aula onde os alunos foram incentivados a participar.
Unânimes atenderam ao convite.
Ninguém queria ir embora.
A angústia era: precisamos de mais tempo!
Aquele mestre tem muito a nos falar.
Intrigou, instigou. Com desafios, exemplos, histórias e propriedade.
Uma aula. A aula.
Sempre fui e continuarei sendo admiradora destes profissionais. Grata aos professores.
E o que vejo?
Professores de braços cruzados - porque algo está errado.
Desrespeito dentro de sala de aula - por conta da falta de valores dessa sociedade.
É uma pena ser logo com eles. Eles que tantam fazem por nós, desde lá no pré.
A gente aprende - quando aprende. Mas esquece de quem nos ensinou.
Sinto por eles. Sinto por mim - preciso deles.
Pra que piscar?
Dirigiam-nos perguntas, questionamentos contextualizados.
Eufóricos uns respondiam. Em dúvida, outros se calavam.
Todos na espera do desfecho, que professor daria.
Uma aula onde os alunos foram incentivados a participar.
Unânimes atenderam ao convite.
Ninguém queria ir embora.
A angústia era: precisamos de mais tempo!
Aquele mestre tem muito a nos falar.
Intrigou, instigou. Com desafios, exemplos, histórias e propriedade.
Uma aula. A aula.
Sempre fui e continuarei sendo admiradora destes profissionais. Grata aos professores.
E o que vejo?
Professores de braços cruzados - porque algo está errado.
Desrespeito dentro de sala de aula - por conta da falta de valores dessa sociedade.
É uma pena ser logo com eles. Eles que tantam fazem por nós, desde lá no pré.
A gente aprende - quando aprende. Mas esquece de quem nos ensinou.
Sinto por eles. Sinto por mim - preciso deles.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Sozinha e vice-versa

Sozinha, enquanto todos andavam juntos.
Os outros falvam, contavam, riam. Uns para os outros. Ninguém para ela.
Jovens no intervalo da faculdade. A professora de cabelos brancos só tinha voz dentro de sala - pelo menos só lá lhe davam atenção, ou fingiam que davam.
Cada um em seu grupo, tribo, segmento. Ela só. Sozinha com vontade de estar junto.
Não estava excluída, mas passava despercebida.
Não se intimidou. Tampouco se deteve ou se escondeu.
Entrava nas conversar. Puxava assunto. Interagia com qualquer grupo de mais de duas pessoas.
Falou do movimento na Universidade, do calor, das estrelas.
Sorria para desconhecidos. A reação de quem não a conhecia era de estranheza e surpresa.
A senhora agia naturalemente.
Somos apenas dentro de nosso espaço, com nossas pessoas. Somos fechados: Sozinhos estando com gente.
Não vemos ao redor. Perdemos a oportunidade de encontrar pessoas diferentes, conversas sobre novos assuntos, ideias diversificadas.
Sozinha, ela fez de tudo para estar com todos.
E esteve.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Na rua

Alguém passa e te fita.
Você retribui.
Mas ele passa...
Outro alguem passa e nem te olha.
Ninguém passa e te cumprimenta.
Carros também passam. Correm.
Você caminha.
Numa multidão está sozinho.
Junto de tanta gente que desconhece.
Passa por onde muitos já passaram. Muitos vão passar.
Nada fica...
Seguindo o ritmo da rua, tudo passa.
sábado, 10 de março de 2012
Um medo recíproco
Desde pequenos, a gente se comporta pra não ficar de castigo e estuda pra evitar a recuperação.
As normas são seguidas pra evitar ser demitido. Evita-se conversas, pois têm potencial para virar árduas discussões.
Vive-se perante a intimidação...
Não cumprimentamos o jovem vizinho por ele ser usuário de drogas. Desconfiamos do outro por parecer psicopata e nos olhar fixo demais.
Ignoramos o porteiro porque sequer sabemos de onde ele veio. Sequer vemos a faxineira do prédio.
Não damos esmolas por receio.
Os vidros estão sempre fechados.
A visita só entra em casa depois de atravessar vários portões.
Até o barulho provocado pelo vento nos assusta.
Desconfiamos até, daqueles que que mais amamos - afinal, até eles nos decepcionam, nos traem.
Não é da sombra que nasce a desconfiança. É de nosso corpo, de nossa própria mente. Nós mesmos não nos conhecemos em determinadas situações. A gente não se reconhece mais.
Os olhares evitam fitar outros olhos.
As mãos não se tocam - corre-se o risco de se agredirem.
É gente com medo de gente...
As normas são seguidas pra evitar ser demitido. Evita-se conversas, pois têm potencial para virar árduas discussões.
Vive-se perante a intimidação...
Não cumprimentamos o jovem vizinho por ele ser usuário de drogas. Desconfiamos do outro por parecer psicopata e nos olhar fixo demais.
Ignoramos o porteiro porque sequer sabemos de onde ele veio. Sequer vemos a faxineira do prédio.
Não damos esmolas por receio.
Os vidros estão sempre fechados.
A visita só entra em casa depois de atravessar vários portões.
Até o barulho provocado pelo vento nos assusta.
Desconfiamos até, daqueles que que mais amamos - afinal, até eles nos decepcionam, nos traem.
Não é da sombra que nasce a desconfiança. É de nosso corpo, de nossa própria mente. Nós mesmos não nos conhecemos em determinadas situações. A gente não se reconhece mais.
Os olhares evitam fitar outros olhos.
As mãos não se tocam - corre-se o risco de se agredirem.
É gente com medo de gente...
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Assalto

Foi ao meu lado. Com sol raiando.
Muitos carros nas ruas. Muitas pessoas nas calçadas.
Vi, mas não prestei atenção: Não enxerguei.
Ouvi, no entanto, não escutei o que disseram.
Subi no ônibus. Mais três pessoas fizeram o mesmo.
A última entrou chorando. Assustada. Desesperada.
Passei a catraca. Os outros também o fizeram.
-Fui assaltada!
Feito anúncio, silêncio no transporte coletivo. Um ou outro cochichava sobre o ocorrido.
Pela janela vimos o assaltante caminhando.
Caminhava atravassando as vias cheia de automóveis, andando pelas calçadas com muita gente, sob a luz do dia.
Vimos sem fazer nada.
O homem, o celular roubado e notávamos que aos poucos, a moça, dentro do ônibus se acalmava.
Cada um descia em seu ponto...
O itinerário manteve-se o mesmo...
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Saldo do Carnaval

Só me incomoda a obrigação de ter de pular.
De ter de vestir a fantasia, quando no resto do ano, muitos vivem de máscaras (desculpe-me o clichê).
Fico pertubada com a exigência de termos que ser foliões e nos comportarmos como tal: Beber e farrear e outras "cositas" mais...
Gosto do carnaval. Já pulei muito, mas o ano que resolvi não sair atrás do trio, senti-me uma extraterrestre. Ou pelo menos todos me viam como tal.
Adoro ver o sorriso das pessoas na avenida. A alegria de fato contagia.
Mas quis ver através da TV.
Foram bons os dias de folia.
Confesso que não cai no samba, nem me rendi a febre sertaneja durante os dias.
Mas... Mas aproveitei. Do meu jeito. Como pude. Como quis.
PS: Posso contar um segredo? Eu era uma. Depois do carnaval já não era mesma.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Sociedade: De pernas pro ar!

Foi a frase: "A saúde está doente" que me fez pensar o quanto o certo pode estar errado.
Sem entrar no mérito de valores, o fato é que algo está acontecendo. Algo estranho, ouso dizer.
"A Educação está burra!" - Também já ouvi por ai...
Parei. Pensei e conclui: não é só isso...
A senssação de segurança já foi roubada.
A política saiu da polis e é discutida às portas fechadas.
O artista hoje, sequer precisava fazer arte.
O cantor nem precisa saber cantar.
Dancar - também no conotativo - já não é exclusividade dos dançarinos.
O público vai sendo apropriado.
O privado? Escancaram!
Reféns da liberdade.
Uma evolução de reinvenções.
Paralisdos dentro de veículos que chegam a 350 km/h.
Muitos amigos na lista de contatos. Carentes de um abraço.
Na teoria somos práticos.
Na prática nos distanciamos da teoria.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Elogio

Falam que você é bonito e sem querer acabam exigindo que esteja belo amanhã. De preferência, ainda mais que hoje.
Também comentam sobre sua inteligência e isso faz com que você, em hipótese alguma, possa cometer um erro gramatical, por exemplo.
Elogiam o fato de você ter bom humor, ser engraçado e acabam te abrigando a ter sempre uma piada na ponta da língua.
Comentam da sua energia positiva e no dia que você acorda baixo astral, simplesmente não te conhecem e o pior não aceitam seu momento natural.
E quando falam que você é especial? Bom, ai pesa. Pesa muito. O que significa ser especial? O que fazer para continuar correspondendo ao elogio?
Nossa, tem gente que ousa dizer que você é perfeito. Nessa hora dá vontade de desistir, só pra não frustar aquele que despejou tamanho exagero.
Dizem que você é diferente e então você precisa manter tal diferenciação perante essa sociedade padronizada. Olha, isso não é nada fácil dada as influências midiológicas.
Elogios são sempre bem-vindos. Quem não quer receber uma palavra bonita, um reconhecimento do esforço?
O problema é quando se é prssionado a manter tal postura. Quanto mais a pessoa recebe elogio, mais risco ela corre. Corre-se o risco de decepcionar aqueles que tanto a admiram e portanto, tanto lhe são importantes.
Ninguém é belo o suficiente para não acordar um dia com os olhos inchados e com olheiras.
Não há inteligência que não precise consultar um dicionário de vez em quando.
Tampouco não existe estado de espírito que não se abale dadas as negatividades deste mundo.
Perfeição: a grande utopia do homem.
Tentar se diferenciar: Um grande passo para quem tem pernas curtas e acaba se encaixando aos grupos e tribos desse nosso mundinho. Ser diferente pode ser muito arriscado e a rejeição, acaba sendo a consequência.
Elogios são bem-vindos, no entanto, se vêm descompromissados e sem expectativas.
Elogios são bons porque servem também como incentivo.
Porém, se um dia errarmos, por favor, lembre da beleza de outrora e da que se mantém interiormente; não esqueça da inteligência que nunca vamos perder mas sempre teremos o que aprender; lembrar da perfeição que "tentamos", da energia positiva que se equilibra, e portanto para o equilíbrio vem com momentos negativos.
Ah, não esqueçam da diferença, de preferência daquela que a pessoa fez em sua vida.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
É muito mais fácil fazer o mau. Já repararam?

É sempre mais fácil desviar, que encontrar o caminho certo.
Facilidade temos em destruir (as vezes basta um sopro), e dificuldade encontramos para construir (pode demorar anos).
Muito fácil gastar, o difícil é poupar dinheiro.
Machucar se faz com facilidade, mas curar, as vezes, não está sob nossa capacidade.
Já repararam como o texto de um drama nos convence, porém uma piada pode nos parecer patética demais? Sim, é muito mais fácil fazer chorar, do que rir.
Muito mais fácil desagradar do que ser agradável a todos.
Dizer eu te amo as vezes nos envergonha, no entanto demostrar indiferença não nos intimida.
Lembram da escola? Não era muito mais trabalhoso tirar a nota dez?
O vilão nunca cai na demagogia do mocinho.
Mentir machuca menos que falar a verdade, na grande maioria das vezes.
Como é fácil pisar, e como não gostamos de nos curvar.
Sujar não é muito mais fácil que manter limpo?
"Pegar" pode nos dar muito menos trabalho do que "conquistar".
O abandono é muito mais fácil que arriscar uma criação.
Descumprir não é tão difícil como manter-se "na linha".
A tristeza as vezes vem mais rápido que o sorriso. E pode até durar mais que a felicidade. Mas o que fica são os momentos felizes ou as pessoas que nos apoiaram nos momentos tristes. O que fica, no fundo, é o que foi de bom. Será que fica muito? Se optarmos pela facilidade, até nossas recordações estarão comprometidas. A gente se orgulha do passado difícil, aquilo que veio fácil tentamos esconder, já notaram isso?
Afirmar que encontrei, que construi, que poupei, curei, que fiz rir, que agradei, amei, me esforcei, fui bom pra mim para os outros, que fui honesto, que me redimi, que tornei límpio, e que consegui cumprir à risca, nos orgulha. Orgulho de ter vivido uma vida que valeu a pena, apesar da dificuldade. Uma vida difícil não é sinônimo de vida infeliz.
Há um provérbio chinês que nos diz: "Difícil é ganhar um amigo em uma hora; fácil é ofendê-lo em um minuto."
Disse certa vez Vladimir Maiakóvski: "Não é difícil morrer nesta vida: Viver é muito mais difícil."
O que vocês preferem?
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