Mais um trecho da experiência que está sendo, a aventura de se escrever um livro.
"Culpa de não ter ajudado. Aliás, sequer visto. Foi muito rápido.
Rápido, como muitos dizem que a vida passa.
Sem tempo para mais nada, quando a morte já se anuncia.
Antes, ela estava bem. Aliás, mais do que se é esperado para quem acredita que um diagnóstico de câncer, nada mais é, que o irreversível."
Mostrando postagens com marcador hospital. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hospital. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 17 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Um trecho do livro. Conto com vocês
Comecei a escrever o livro-reportagem que será o meu Trabalho de Conclusão de Curso, da faculdade de Jornalismo da Puc-Campinas. O assunto trata de doentes graves, aqueles que já são tratados, apenas, com cuidos paliativos - só para não sentir dor. Apenas isso, se pode fazer neste estágio. Apesar do tem, não são eles os protagonistas das histórias.
Coloco aqui um trecho - que talvez nem vá para a publicação - até para que me ajudem a escrever histórias, não dos pacientes, mas da família que os acompanham - Eles também sofrem!
Vou ficar muito feliz, se me ajuderem comentando, com críticas sugestões e se tiver algo legal, flaem pois ai sei que caminho seguir.
Espero poder construir este "livro" (desculpem-me a pretensão de assim chamá-lo) junto com vocês.
Segue um rascunho.
Grata.
Histórias que se encontraria no hospital: Sequer precisa chegar lá.
Fora mesmo do ambulatório, olhos negros fitam pelas ruas. Os dela são bem escuros e ainda não refletem brilho. Atende por Renata e já apagou 32 velas. Hoje, é ela quem está como a vela após os parabéns.
Sofre por algo que já foi – pra quem está de fora, faz tempo. Para ela, está sendo. Há quatro anos, Renata ficou sem comer a comida mais gostosa, sem receber os conselhos mais sábios, e até perdeu o colo mais confortável. Sua mãe se foi.
Aqueles olhos negros ameaçam inundar. A esperança tenta manter-se boiando. E não é fácil. Vestida de camiseta, na qual um desenho animado está estampado. Uma mulher, ainda com resquícios de criança. Quer ainda, o leite. Precisa do seio.
Recorda-se apenas das dores que seu exemplo de mulher sentiu e do visível abalo psicológico que não conseguiu superar.
A mãe não teve tempo sequer de passar pelos estágios que a Elisabeth Kubbler esquematiza em seu livro. Teve tempo apenas de não acreditar, de não aceitar. 180 dias foram poucos para barganhar e tentar recuperar a saúde. Cortou caminho e já caiu na fase depressiva - o quarto estágio de um doente - que só se pode cuidar paliativamente. Restou-lhe aceitar. A filha não tem certeza dessa afirmação. O que se sabe é que a TV foi desligada.
Difícil fica, para aquele que fica. Renata prova o trocadilho. A doença que não teve cura, transformou-se numa falta também incurável.
A mãe que ficou sem sua mãe mantém os cabelos presos e nada de maquiagem para realçar. O jeans é básico e o salto não combina com seu estilo. Talvez, não queira aparecer, vai ver não tenha – ainda – o que mostrar.
Está necessitada. De ajuda? Há dúvida se alguém pode ajudar. De uma palavra? Receio que ninguém conheça. Ouvidos? Talvez, alguém possa escutar.
Coloco aqui um trecho - que talvez nem vá para a publicação - até para que me ajudem a escrever histórias, não dos pacientes, mas da família que os acompanham - Eles também sofrem!
Vou ficar muito feliz, se me ajuderem comentando, com críticas sugestões e se tiver algo legal, flaem pois ai sei que caminho seguir.
Espero poder construir este "livro" (desculpem-me a pretensão de assim chamá-lo) junto com vocês.
Segue um rascunho.
Grata.
Histórias que se encontraria no hospital: Sequer precisa chegar lá.
Fora mesmo do ambulatório, olhos negros fitam pelas ruas. Os dela são bem escuros e ainda não refletem brilho. Atende por Renata e já apagou 32 velas. Hoje, é ela quem está como a vela após os parabéns.
Sofre por algo que já foi – pra quem está de fora, faz tempo. Para ela, está sendo. Há quatro anos, Renata ficou sem comer a comida mais gostosa, sem receber os conselhos mais sábios, e até perdeu o colo mais confortável. Sua mãe se foi.
Aqueles olhos negros ameaçam inundar. A esperança tenta manter-se boiando. E não é fácil. Vestida de camiseta, na qual um desenho animado está estampado. Uma mulher, ainda com resquícios de criança. Quer ainda, o leite. Precisa do seio.
Recorda-se apenas das dores que seu exemplo de mulher sentiu e do visível abalo psicológico que não conseguiu superar.
A mãe não teve tempo sequer de passar pelos estágios que a Elisabeth Kubbler esquematiza em seu livro. Teve tempo apenas de não acreditar, de não aceitar. 180 dias foram poucos para barganhar e tentar recuperar a saúde. Cortou caminho e já caiu na fase depressiva - o quarto estágio de um doente - que só se pode cuidar paliativamente. Restou-lhe aceitar. A filha não tem certeza dessa afirmação. O que se sabe é que a TV foi desligada.
Difícil fica, para aquele que fica. Renata prova o trocadilho. A doença que não teve cura, transformou-se numa falta também incurável.
A mãe que ficou sem sua mãe mantém os cabelos presos e nada de maquiagem para realçar. O jeans é básico e o salto não combina com seu estilo. Talvez, não queira aparecer, vai ver não tenha – ainda – o que mostrar.
Está necessitada. De ajuda? Há dúvida se alguém pode ajudar. De uma palavra? Receio que ninguém conheça. Ouvidos? Talvez, alguém possa escutar.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
No hospital
Quem precisava de ajuda, se colocou a minha disposição.
Aquele que não podia se sustentar de pé, se preocupou em me dar um lugar para sentar.
O que tinha motivos para lágrimas, sorria.
Os que tinham diagnóstico de que o tempo seria curto: não tinham pressa.
Aquele que não podia se sustentar de pé, se preocupou em me dar um lugar para sentar.
O que tinha motivos para lágrimas, sorria.
Os que tinham diagnóstico de que o tempo seria curto: não tinham pressa.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Morte
Na enfermaria clínica - onde o que resta fazer é dar conforto. Aliviar a dor.
Ouvi a palavra "trash" sair da boca do doutor.
A enfermeira falou de um futuro que se resumiria em "poucos dias".
O acompanhante revelou que o quadro clínico pode ser "nojento".
Sensíveis.
Humanos e conscientes.
Ouvi a palavra "trash" sair da boca do doutor.
A enfermeira falou de um futuro que se resumiria em "poucos dias".
O acompanhante revelou que o quadro clínico pode ser "nojento".
Sensíveis.
Humanos e conscientes.
sexta-feira, 9 de março de 2012
No mesmo hospital...

Vi recém-nascidos saindo...
No colo, em cestinhas. Meninas de cor de rosa e lilás. Garotinhos de verde e azul.
Mães felizes, pais orgulhosos. Uma vida!
No mesmo corredor tinha macas. Sobre elas, gente. Gente com dor. Gente de idade. Gente esperando.
Estavam vivendo... Morrendo...
Ao lado a capela. Nela, uma mulher segurava terço. Dos olhos, as lágrimas.
Um ombro a confortava.
Uma morte...
Assinar:
Postagens (Atom)