terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dia do Médico


No dia do médico não dá para questionar a saúde pública.
Nesse dia também não podemos falar da qualidade do atendimento do SUS.
Sobre as instalações dos hospitais, também não é válido discutir.
O fato é que, o que não sou capaz de expressar, alguém já teve essa capacidade.
Era isso o que eu queria dizer, mas o autor da frase o fez antes e com maestria:

"Não é o diploma médico, mas a qualidade humana, o decisivo." (Carl Gustav Jung)

Furo!


Orifício. Buraco. Rasgo.
Ponto aberto.
Trégua. Respiro.
Abertura. Pássivel de fechamento.
No jornal é o que vem primeiro.
E se os últimos um dia forem mesmo os primeiros?
A certeza ou imprecisão?
Antes ou mais?
Contentar-se depois?
Não. A adrenalina de furar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Hoje em dia...


Superficialidade.
Descompromisso.
Lance.
Paixão?
Momento.
E depois?
Não tem.

Recomeçar como Santa Edwiges recomeçou


Ontem, dia de Santa Edwiges, o que era para ser um sermão consensual deu-me força.
Que ela é santa dos necessitados, pobres e endividados, eu já sabia.

Foi sob a proteção de Edwiges que fiz a primeira comunhão e foi ela quem olhou por mim quando reafirmei minha fé no Crisma.

Santa Edwiges não só abriu mão da riqueza. Ela, não apenas ajudou os pobres e aqueles que precisavam, passou por provações. E recomeçou. Depois de ter seis filhos, foi para convento. Vida nova. Nova via.

Recomeçar. Qual é momento certo?
Que fim merece um recomeço?
Começar de novo, por onde?
Mudar tudo?
Cometer os mesmos erros?
Arriscar ou permanecer na defensiva?
Sozinho ou acompanhado?
Com medo ou cheio de coragem?
E se for cedo?
Mas, pode ser tarde...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Estamos começando pelo fim...


A raiz do problema talvez não esteja sob a terra.
O início da história pode não estar nas primeiras páginas.
O amor as vezes não começa pela amizade.
O primeiro nem sempre é o que começou antes.

Tentei encontrar o porque da superficialidade dos relacionamentos. Foi conversando que consegui um argumento convincente.
-Gláucia, estamos começando pelo fim.

Olhar. Pegar nas mãos. Tocar. Acariciar a face. Um beijo de ladinho para dar tchau. Conversa. Conversa. As flores. O jantar. O silêncio. O meio. O fim.

Nos dias "atuais", nós trocamos a ordem. Começando pelo fim, para que chegar a olhar?
Vamos logo aos "finalmentes".
Temos fim, mas sem o começo e meio, não se solidifica uma história.
Final feliz? Não. Sem os antecedentes, perde-se, inclusive, a referência de felicidade.
Tudo, simplesmente, acaba. Sem, no entanto, ter começado.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Foi assim, minha primeira vez...


Respira. Solta. Respira. Solta...
Aprendi a respirar esses dias. Respirar e perceber a respiração.
A correria é tanta que não só, não tive tempo de escrever, como também, não me lembro se cheguei a respirar.
Agora estou respirando e consigo aqui escrever o que guardei pra mim, com muita vontade de contar. Nem que fosse só para o papel. Só para a tela.

Tive minha primeira vez. Foi de madrugada. Quase tudo novo.
Depois que foi, na rua chovia... Uma chuva esperada... Uma chuva que não vinha. Caiu na minha primeira experiência. Veio lavar, ou regar essa vez. A vez que a gente nunca esquece.

Não, eu não estava sozinha.
Aliás, muita gente ao meu redor. Foi isso que fez ser tão especial.

Participei pela primeira vez de um momento histórico para política (minha paixão), instante que também se eternizará nos livros referente à Campinas (minha cidade). Minha figura era credenciada. Credenciamento de imprensa (esse que sempre foi e continua sendo meu sonho profissional: o Jornalismo).
Fui "testemunha ocular da história" (que orgulho!). Estive presente na votação que culminou no impeachment de Hélio de Oliveira Santos, então prefeito de Campinas.
Para mim não parecia verdade. Primeiro, o resultado favorável à cassação pareceu-me extraordinário demais para ser real, dada a sociedade em que vivemos, onde a impunidade e a história do foro privilegiado parecem simplesmente serem imbatíveis. Segundo, eu estava com o sonho de ser jornalista sendo lapidado....

Vi com esses olhos. E falei algumas palavras (duas ou três) que estiveram na transmissão especial da Rádio CBN.
Não foi simplesmente uma realização profissional, pois cheguei a sentir um gosto de cidadania. Não vou entrar no mérito se deveria ou não ser cassado, mas ver o povo (sim, era pouca gente, mas...) cantar o Hino Nacional deu uma nostalgia. Saudade de um tempo que nunca vivi e não tenho a certeza se alguém já vivenciou.
Foram horas aguardando. Horas. Demoraram para passar. Sono? Sim. Vontade de dormir? Nenhuma!
Os vereadores liam as centenas de páginas. Os jornalistas esperavam. Eu, enquanto estagiária tive oportunidade de conhecer colegas de trabalho, conversar, rir e me apoiar em alguém quando batia a preguiça.

Sai com olheiras sob os olhos. Dentro deles, luz! Eu estava feliz. Feliz por ter mais uma vez a certeza de que escolhi a profissão que me satisfaz. Sabe, parece que é isso que quero pra mim. Virem quantas madrugadas virarem. Leiam quantas páginas queiram ler.

Respirei, soltei. Agora pude registrar.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Campinas: O que esperar?


Desenvolve-se economicamente. Retrocede-se na parte ética e moral.

A Comissão é Processante: o processo está em andamento. Uns acompanham ansiosos. Outros nem tanto, já prevendo o final.
As expectativas são poucas, afinal a água, que seria nossa maior riqueza, tornou-se fonte. A fonte da fortuna deles.

Se há torcida? Também não. Não temos ânimo para tal. É difícil conviver assim. Se vivemos na legalidade não podemos adquirir o produto. Podendo pagar pela mercadoria, caímos na ilegalidade. O ilegal que sustenta. Sustenta famílias e também a marginalidade.
Na escala nacional também sentimos desamparo. Temos uma lei que passou por atualizações: um novo Código em que se prende para depois soltar.

Como crer num cenário em que a minoria decepciona a maioria e se quer se envergonha da situação?
Não dá mais para ter sonhos. Eles foram embargados.

Se há provas de tudo isso? "Desconheço".

quinta-feira, 30 de junho de 2011

É muito mais fácil fazer o mau. Já repararam?




É sempre mais fácil desviar, que encontrar o caminho certo.
Facilidade temos em destruir (as vezes basta um sopro), e dificuldade encontramos para construir (pode demorar anos).
Muito fácil gastar, o difícil é poupar dinheiro.
Machucar se faz com facilidade, mas curar, as vezes, não está sob nossa capacidade.
Já repararam como o texto de um drama nos convence, porém uma piada pode nos parecer patética demais? Sim, é muito mais fácil fazer chorar, do que rir.
Muito mais fácil desagradar do que ser agradável a todos.
Dizer eu te amo as vezes nos envergonha, no entanto demostrar indiferença não nos intimida.
Lembram da escola? Não era muito mais trabalhoso tirar a nota dez?
O vilão nunca cai na demagogia do mocinho.
Mentir machuca menos que falar a verdade, na grande maioria das vezes.
Como é fácil pisar, e como não gostamos de nos curvar.
Sujar não é muito mais fácil que manter limpo?
"Pegar" pode nos dar muito menos trabalho do que "conquistar".
O abandono é muito mais fácil que arriscar uma criação.
Descumprir não é tão difícil como manter-se "na linha".


A tristeza as vezes vem mais rápido que o sorriso. E pode até durar mais que a felicidade. Mas o que fica são os momentos felizes ou as pessoas que nos apoiaram nos momentos tristes. O que fica, no fundo, é o que foi de bom. Será que fica muito? Se optarmos pela facilidade, até nossas recordações estarão comprometidas. A gente se orgulha do passado difícil, aquilo que veio fácil tentamos esconder, já notaram isso?

Afirmar que encontrei, que construi, que poupei, curei, que fiz rir, que agradei, amei, me esforcei, fui bom pra mim para os outros, que fui honesto, que me redimi, que tornei límpio, e que consegui cumprir à risca, nos orgulha. Orgulho de ter vivido uma vida que valeu a pena, apesar da dificuldade. Uma vida difícil não é sinônimo de vida infeliz.
Há um provérbio chinês que nos diz: "Difícil é ganhar um amigo em uma hora; fácil é ofendê-lo em um minuto."


Disse certa vez Vladimir Maiakóvski: "Não é difícil morrer nesta vida: Viver é muito mais difícil."

O que vocês preferem?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Ficção ou Realidade?


Peço licença aos leitores, peço desculpas aos grandes críticos da arte. Neste post, faço minha primeira "Crítica de Arte", e por ser primeira peço compreensão e se possível ajuda de todos. Faço uma crítica da novela "Morde e Assopra" e ouso compará-la com momento político que Campinas passa em seu alto escalão. (Estou aberta a críticas, sugestões e elogios. Espero que "segunda", "terceira"... sejam melhores. Obrigada.)


Campinas passa por uma crise no alto escalão do Executivo da cidade. Empresários, Secretários e Diretores da empresa de fornecimento de água da cidade, a Sanasa, estão sendo investigados pelo Ministério Público, sobre supostas irregularidades em licitações entre a Prefeitura e a empresa . Para alguns a “Casa Caiu” na prefeitura de Campinas. Caiu para o prefeito, Hélio de Oliveira Santos, e para a primeira-dama, Rosely Nassim Jorge Santos.

Sem querer prever o final da novela, mas sabendo que todos os finais desta forma de entretenimento são previsíveis, na obra atual de Walcyr Carrasco, “Morde e Assopra”, a tendência é seguir este caminho. Uma primeira-dama que faz tudo por dinheiro, desde cortar a merenda das crianças, até oferecer propina para quem estivesse na licitação se assemelha às acusações que caem sobre Rosely e o final, na melhor das hipóteses só poderia ser esse. “Primeira-dama de Campinas está foragida” estampa as notícias da realidade. Assim, seria o final feliz da trama.

A atriz Elisabeth Savalla, interpreta a mulher do prefeito Isaias, (interpretado por Ary Fontoura) Minerva, uma sociality esnobe, com ar de superioridade e arrogância. A trama na casa do prefeito se resume a exageradas cenas caricatas, numa caricatura que se aproxima ao choro das novelas mexicanas, mas que, no entanto, veio a calhar com a realidade campineira.

Se a ficção copia a realidade, ou vice-versa não se tem um consenso, mas o fato é que a realidade de Campinas parece ficcional demais para ser verdade, e a ficção de Walcyr Carrasco á fantástica ao extremo para ter algo de real. No entanto, ambas afirmações se mostram incorretas. Em Campinas, o que era de pedra se desmoronou e na novela o que é fruto de imaginação, concretizou-se. Se não bastasse a semelhança física entre Minerva e Rosely (faces enrugadas, coberta por botox e mau humor estampado no rosto), ao que sugerem as investigações, a primeira-dama da novela e a da metrópole têm o mesmo instinto, a mesma força, a mesma coragem e a mesma ousadia. Talvez, tenham os mesmo objetivos.

Rosely é investigada no “Caso da Sanasa” como a “chefe” da quadrilha que fraudava licitações. O prefeito de Campinas diz que não sabe nada, nunca viu nada e confia piamente na inocência de sua mulher. Na novela, Minerva ainda não é investigada, mas a cumplicidade com seu marido assemelha-se ao que aparenta ser o relacionamento entre Hélio e Nassim. Minerva manda em Isaias. Em Campinas, Hélio parece ser mandado por Rosely. Ou tenta parecer que assim o é.

A novela que peca pelos clichês, utopias e efeitos ultrapassados, outrora usados em Jurasic Park, acertou no exagero, que na verdade nada tem de exagerado. Apelou para o riso, embasado numa crítica política. Criou uma história, que se tivesse começado depois, poderia ter sido inspirada no Executivo campineiro.

Walcyr Carrasco apostou na história, mas não quis arriscar na atriz. Elizabeth Savalla, uma das divas globais já foi Jezebel de Canto e Mello, em “Chocolate com Pimenta” (2003), Agnes em “Alma Gêmea” (2005), Rebeca em “Sete Pecados” (2007), e a popular Socorro de “Caras & Bocas’ (2009), todas do autor Carrasco. A começar pelos títulos das novelas, o Walcyr, embora de excelente texto literário, não inova e cai nas redundâncias e frases de senso comum, metáforas chulas e popularescas, que servem bem para o entretenimento da novela, mas deixam a desejar quando o assunto é arte.

Numa história em que se mistura robôs futurísticos, com dinossauros pré-históricos, a parte política se sobressai, já que permite a identificação entre o telespectador. O que se vê na ficção é o retrato da corrupção dos bastidores de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, e de qualquer outro lugar que exista dinheiro, oportunismo e politicagem.

Faz-se a crítica desta sociedade corrupta, porém, como o instrumento da mensagem não passa de um programa diversional, não há espaço e talvez nem interesse de despertar o senso crítico do expectador, que sentado no sofá, simplesmente ri das piadas, já manjadas, mas que servem para passar o tempo, e dar graça àquilo, que, com perdão do trocadilho, não passa da nossa desgraça. A política da novela reflete a política da sociedade, que por sua vez é reflexo de sua sociedade.