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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Alucinação


Escuro.
Madrugada.
Alguns indo trabalhar.
Outros voltando do trabalho.
Estrelas no céu. E a correria já começa sobre o asfalto.
Logo, ruas cheias de carro. Carros cheio de gente: Gente atrasada, estressada...
Antes disso tudo, apenas algumas luzes nos postes e a insegurança de estar numa grande cidade.
No meio do nada, no meio de tudo sem nada, sai um rapaz: Jovem, alto. Sem camisa. Rodando com a mão a própria camisa. Alucinado se arrisca no meio da rua. Grita, pula, se bate.
Grita de desespero. Um grito fora de si.

Revela uma ferida da sociedade.
Sociedade de alienados que se confortam na alucinação.
Onde drogas, bebidas e solidão são as únicas companhias.

Medo sentem os lúcidos. Quanto pavor não sentem os alucinados?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Uma cena


Chuva. Muita chuva. Todo ano cenas assim. Enchentes. Desespero. E com o perdão do trocadilho, muita coisa, simplesmente, vai por água abaixo.
A parte física das casas, os sonhos das pessoas: Vão com vento. Caem assim como a torrente.
Ano passado marcou a cena da senhora que ao ver tudo ser levado, queria apenas salvar. Salvar seu melhor amigo, o cachorro.

Este ano, tudo aconteceu de novo. E está acontecendo.
Pela televisão vi a situação de Minas Gerais. Era muita água. Mas desta água se destacou o xadrez. Um rapaz que vistia uma camisa desta estampa teve coragem de herói e sensibilidade que se espera do ser humano. A correnteza era forte, no entanto mais forte era a bondade. Se arriscou e salvou a motorista desesperada e o filho dela também.
Mais que a desgraça que vem com a chuva e que revela a falta de infra-estrutura, são nestes momentos que homem tem a oportunidade de fazer renascer nele próprio a crença e a esperança de que o mundo tem jeito, e que nós podemos encontrar esse jeito.
A gente volta acreditar que homem não é este ser individualista do capitalismo, tampouco tem em si o egoísmo desta sociedade moderna.

Voltar acreditar. Um bom recomeço, num ano que está só começando...